
Animação chinesa ultrapassa 'Titanic' em bilheteria mundial

A animação chinesa "Ne Zha 2" superou "Titanic" oficialmente esta semana e alcançou a 4ª posição entre as maiores bilheterias da história do cinema, segundo dados divulgados pela agência chinesa de imprensa Xinhua, na quinta-feira (9).
A receita mundial do filme chegou a US$ 2,27 bilhões (cerca de R$ 11,2 bilhões), desbancando o épico de 1997 de James Cameron, que arrecadou US$ 2,2 bilhões em bilheteria.

O desempenho da produção está inserido em um momento de expansão do mercado interno chinês no entretenimento. Ainda em março, a receita doméstica do mercado cinematográfico chinês havia ultrapassado 10 bilhões de yuans (cerca de R$ 7,3 bilhões) no acumulado anual, demonstrando o forte desempenho da indústria nacional no setor.
A trajetória do filme até o recorde não foi linear, apresentando um desfalque de US$ 100 milhões abaixo da receita de "Titanic" em abril de 2025, alcançando em sua campanha inicial nas salas de cinema a posição de 5º maior filme da história. Ao longo dessa jornada, a produção desbancou clássicos americanos como "Star Wars: Episódio VII" e "Jurassic World", tornando-se o maior filme de animação de todos os tempos e estabelecendo um marco inédito ao arrecadar mais de US$ 2 bilhões em um único território, apontou o portal americano de entretenimento Collider.
Enredo simbólico
Parte do apelo do filme pode ser atribuído a um simbolismo geopolítico; para o pesquisador Mao Keji, do Centro de Cooperação Internacional da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o elenco de personagens de "Ne Zha 2" compõe uma alegoria da ordem internacional. Sob essa lente, seu enredo pode ser visto como uma crítica ao bloco Ocidental, liderado pela dominação dos Estados Unidos, contraposto pela China, representada na figura do protagonista.
"Contudo, o filme não destaca a incrível destreza de combate de Nezha nem seu heroísmo pessoal. Em vez disso, o coloca entre os oprimidos na resistência, enfatizando seu papel como figura central da rebelião", analisa Mao. "O confronto final entre a força de resistência e a opressão reacionária é o clímax do enredo, proclamando que a resistência de Nezha não é uma luta solitária, simbolizando que a luta da China não é apenas a batalha de uma nação."
