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Imprensa iraniana revela motivo da incerteza sobre negociações entre EUA e Irã

As duas delegações já estão em Islamabad, no Paquistão, para iniciar conversas marcadas por forte desconfiança mútua.
Imprensa iraniana revela motivo da incerteza sobre negociações entre EUA e IrãQamar Zaman / picture alliance / Gettyimages.ru

O Irã ainda não decidiu se irá ou não negociar com os Estados Unidos, a poucas horas do início das conversas previstas em Islamabad, capital do Paquistão, reportou a agência iraniana Fars neste sábado (11).

A resistência de Teerã ocorre porque ainda não foram cumpridas as condições impostas pelo país para iniciar o diálogo, como o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior e um cessar-fogo no Líbano. De acordo com a agência, a decisão final será tomada após a equipe negociadora iraniana concluir as conversas que mantém atualmente com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

Segundo a Reuters, citando uma fonte iraniana, a exigência de liberação dos bens congelados teria sido aceita por Washington. Os ativos estariam retidos principalmente no Catar e em bancos de outros países.

A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chegou a Islamabad na sexta-feira (10). "Temos boas intenções, mas não confiamos", afirmou Ghalibaf na chegada. "Nossa experiência de negociação com os americanos sempre terminou em fracasso e falsas promessas", acrescentou.

No sábado (11), desembarcou em uma base aérea nos arredores de Islamabad a delegação dos Estados Unidos, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, com a presença também do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

"Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, sem dúvida estaremos prontos para estender a mão", disse Vance antes de embarcar para o Paquistão. Ele também alertou que, caso Teerã tente "enganar", a equipe americana “não será tão receptiva”.

Entre os principais temas da mesa de negociações estão o enriquecimento de urânio do Irã, seu programa de mísseis balísticos e a possível reabertura total do estreito de Ormuz.

Por sua vez, Teerã busca garantias dos Estados Unidos de um fim mais duradouro das hostilidades.