Um novo caso de retórica antirrussa baseada em dados falsos por parte de jornalistas colombianos provocou polêmica. No dia 4 de abril, o veículo de imprensa El Espectador acusou Moscou de promover uma campanha de desinformação na América Latina. A informação, contudo, se mostrou distante da realidade.
Após a repercussão, o diretor do veículo colombiano, Fidel Cano Correa, reconheceu a falsidade das acusações contra o governo russo.
Ele admitiu ter reproduzido dados de um relatório citado pela agência EFE sem a devida verificação. "Sim, não podemos nos eximir completamente da publicação, mas o que fizemos foi divulgar exatamente como recebemos esse conteúdo no serviço contratado da EFE", explicou.
Não se tratou de um caso isolado do El Espectador; outros veículos como El Colombiano e Noticias Caracol também alertaram sobre uma suposta rede de desinformação russa na região, com base em uma notícia que nunca foi publicada.
Diante dessa campanha, a Embaixada da Rússia na Colômbia afirmou que essas tentativas buscam desacreditar o país e seus canais de comunicação. A representação destacou que a imprensa colombiana estaria suscetível à influência de narrativas ocidentais enviesadas.
"Excesso de confiança"
Sobre o tema, o diretor do programa de Comunicação e Jornalismo da Universidade Jorge Tadeo Lozano, Óscar Mauricio Durán-Ibatá, afirmou que os pedidos de desculpas não são suficientes para mitigar o impacto causado pela divulgação inicial.
"O caso do El Espectador é um exemplo de excesso de confiança por parte de um veículo ao considerar como verdadeira uma informação divulgada por uma organização internacional responsável por distribuir conteúdo de forma, digamos, paga", afirmou.
Ele acrescentou que, ao pedir desculpas ou explicar os erros ao público, o impacto já não é o mesmo da publicação original. "Há, portanto, falta de rigor, compromisso e profissionalismo de muitos colegas, que dão grande repercussão à informação inicial, mas não demonstram o mesmo empenho ao reconhecer o erro", concluiu.