O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, nesta sexta-feira (10), que o Estreito de Ormuz "será aberto automaticamente".
"Será aberto automaticamente (…) O estreito será aberto. Se saíssemos, o estreito seria aberto; caso contrário, eles não ganhariam dinheiro. Portanto, o estreito será aberto", afirmou o mandatário, ao ser questionado pela imprensa.
Ainda sobre o conflito no Golfo, o mandatário declarou que Washington garantiu que o Irã não possua "arma nuclear" e afirmou que seu país abrirá "o estreito de qualquer maneira". Para isso, disse contar com apoio de outros países, sem especificar quais.
"Não esqueça, nós não usamos o estreito. Outros países usam o estreito. Portanto, temos outros países que vão se juntar e nos ajudar. Mas nós não... não o usamos. Não será fácil. Eu diria o seguinte: o teremos aberto em breve. Estou certo disso", enfatizou.
Ao ser questionado se permitiria que Teerã impusesse pedágio na passagem marítima, negou. "Não vamos permitir que façam isso. Ninguém sabe se estão fazendo. Se estiverem, não permitiremos", disse.
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Contradições
Mais cedo, a Reuters informou que Trump disse a assessores não acreditar que o Estreito de Ormuz será reaberto no curto prazo, apesar de negociações com o Irã previstas para o fim de semana no Paquistão.
Na véspera, Trump acusou o Irã de "fazer um péssimo trabalho" e de descumprir os termos da trégua acordada na terça-feira (8). Também afirmou que "muito em breve" seria possível ver "o petróleo voltar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã", sem detalhar como isso ocorreria.
Por sua vez, autoridades iranianas insistiram que a via marítma está aberta à navegação civil, incluindo navios petroleiros, embora o trânsito deva ser coordenado com o Exército do Irã para garantir segurança.
No entanto, a agência Fars informou que o fluxo na passagem é menor do que antes do cessar-fogo, enquanto o diretor-executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, Sultan bin Ahmed Al Jaber, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece fechado de fato.
- Na terça-feira (8), EUA e Irã acordaram uma trégua de duas semanas e decidiram reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo.
- Além disso, Donald Trump fez uma advertência ao governo e ao povo iraniano: "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá".
- No entanto, a via marítima permanece fechada de fato desde o anúncio, com registros de violações do cessar-fogo por parte de Israel, que lançou ataques intensos contra o Líbano. Trump afirmou que o país não foi incluído no acordo, o que contradiz declarações de Teerã e do Paquistão, que mediou as negociações.
- Após o anúncio da trégua, União Europeia, França, Itália, Alemanha, Dinamarca, Países Baixos, Reino Unido, Canadá e Japão divulgaram um comunicado conjunto no qual se comprometeram a "contribuir para garantir a liberdade de navegação no estreito de Ormuz".
- Diante de pressões de Trump, que chegou a ameaçar deixar a OTAN devido à recusa de aliados em enviar navios para assegurar o trânsito no estreito, Londres convocou mais de 40 países para avaliar mecanismos diplomáticos e econômicos voltados à reabertura da passagem.