
País da UE registra protestos massivos por combustíveis e premiê fala em 'situação muito grave'

O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, classificou nesta sexta-feira (10) como "profundamente perturbadores" os comentários feitos por porta-vozes dos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, enquanto o país enfrenta bloqueios em estradas, portos e uma refinaria desde o início da semana, segundo a míida local.
Em entrevista à rádio RTÉ, Martin afirmou que a Irlanda está no "limiar de afastar o petróleo do país" em meio a um cenário global de escassez energética. Segundo ele, a situação é "muito grave" e a população talvez não compreenda "a gravidade do momento".
"Incredible footage of the sheer magnitude of the fuel protest that took place earlier in Limerick it is expected to continue throughout the week." 🇮🇪🛣#Protest#LimerickFuelProtest#enoughisenough#Nowornever#Together Credit: Abbey Clancy Mullins. 📸 pic.twitter.com/xCjY9JRNHo
— Limerick Now (@limerick_now) April 7, 2026
Os manifestantes exigem uma reunião direta com o governo, que reiterou que só negocia com entidades representativas formais dos setores agrícola e de transporte. Um encontro entre ministros e representantes oficiais desses setores está previsto no Departamento de Agricultura.
Governo alerta para impacto no abastecimento
Martin criticou declarações atribuídas ao porta-voz dos protestos, Christopher Duffy. O premiê afirmou que o representante inicialmente disse que os bloqueios seriam suspensos caso houvesse diálogo, mas depois declarou que as manifestações continuariam "até conseguirem o que querem".

"É profundamente perturbador. É com isso que estamos lidando", disse o chefe de governo, acrescentando que houve também menções ao fechamento do país. "Armas não podem ser apontadas para a cabeça das pessoas", afirmou.
Segundo Martin, um navio petroleiro parado na costa de Galway pode vender sua carga a outro comprador caso não consiga desembarcar. Ele alertou ainda que a refinaria de Whitegate poderá interromper o processamento caso o espaço de armazenamento se esgote, o que permitiria o desvio do combustível para mercados internacionais.
Questionado se a Irlanda corre risco de perder todo o abastecimento de petróleo, respondeu: "Correto".
Uso das Forças de Defesa
O governo anunciou na quinta-feira (9) que utilizará as Forças de Defesa para remover caminhões e tratores que bloqueiam "infraestrutura nacional crítica".
Buses and trams are at a standstill in Dublin city centre as fuel protests continue into the night.Traffic is unable to pass the protesters, who are currently blocking the line at O’Connell Bridge https://t.co/jsOUr2sPcqpic.twitter.com/7Zh4sZXQ6y
— TheJournal.ie (@thejournal_ie) April 7, 2026
Em comunicado, o ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, afirmou que os bloqueios "não serão permitidos" e que veículos poderão ser removidos à força, alertando que manifestantes "não devem reclamar posteriormente sobre danos".
- Os protestos, motivados pela alta dos preços dos combustíveis, paralisaram o centro de Dublin e afetaram rodovias importantes, além de portos em Galway e Limerick e a refinaria de Whitegate, responsável por cerca de 40% da demanda nacional de combustível.
