Enquanto os ataques contínuos de Israel contra o Líbano colocam à prova o frágil cessar-fogo no Oriente Médio, uma delegação dos Estados Unidos deve se reunir neste sábado (11) com autoridades iranianas em Islamabad, capital do Paquistão, para realizar negociações.
O encontro ocorre após o cessar-fogo de duas semanas mediado pelo governo paquistanês entre Washington e Teerã, firmado na terça-feira (7). Apesar da trégua, persistem divergências sobre um acordo de longo prazo e dúvidas quanto à estabilidade da trégua atual.
Na véspera das negociações, foi declarado o nível máximo de alerta em Islamabad, com a mobilização de mais de 10 mil agentes de segurança na cidade.
O Paquistão atuará como mediador no encontro. A delegação americana será liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, segundo a imprensa dos EUA.
Pelo lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, deve chefiar a comitiva, ao lado do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Ghalibaf está entre os principais nomes ainda em atuação no país após ataques recentes que atingiram lideranças, incluindo o ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Entre os temas centrais da negociação estão o programa nuclear iraniano, com foco no enriquecimento de urânio, o desenvolvimento de mísseis balísticos e a reabertura total do Estreito de Ormuz.
Proposta iraniana e impasses
Teerã busca garantias formais de Washington para um encerramento mais duradouro das hostilidades. Na quarta-feira (8), o governo iraniano apresentou uma proposta com 10 pontos, incluindo a manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, a retirada de forças americanas da região e o fim dos ataques israelenses contra todos os grupos de resistência, incluindo o Hezbollah no Líbano.
O presidente Donald Trump classificou o plano como "uma base viável sobre a qual negociar" o fim da guerra. Um funcionário da Casa Branca, no entanto, afirmou ao The New York Times que as exigências não correspondem ao que foi mencionado pelo presidente.
Já J.D. Vance declarou que a proposta iraniana "foi diretamente para o lixo". A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que seria "totalmente absurda" a aceitação integral das exigências, indicando que o conteúdo pode ser ajustado à proposta americana de 15 pontos enviada anteriormente ao Irã.
Ataques de Israel contra o Líbano
Desde o anúncio do cessar-fogo, Israel realizou ataques intensos contra o Líbano. Sob a justificativa de atingir posições do Hezbollah, as ações deixaram centenas de mortos e feridos em diferentes regiões do país.
Teerã condena os ataques como uma violação da trégua e afirma que as negociações perdem sentido sem a inclusão do Líbano no acordo. Por outro lado, Israel e Estados Unidos sustentam que o cessar-fogo atual não se aplica ao território libanês.
Em conversa telefônica, Trump pediu na quarta-feira (8) ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que limite os ataques no Líbano após o anúncio da trégua entre Washington e Teerã.
Netanyahu afirmou que não há cessar-fogo vigente no país e que as forças israelenses continuarão atacando o Hezbollah. Ao mesmo tempo, declarou ter ordenado ao gabinete que inicie negociações com o Líbano "o mais rápido possível".
O presidente dos EUA também ameaçou recentemente lançar ataques contra o Irã "mais fortes do que qualquer um já viu", caso a trégua fracasse. "Se por qualquer razão não se cumprir, o que é muito improvável, então 'começará o tiroteio', maior, melhor e mais forte do que qualquer um já viu", escreveu Trump em suas redes sociais.
Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), afirmou na quinta-feira (9) que as forças americanas permanecem na região e estão prontas para agir, se necessário.