Brasil precisa de vigilância do FMI para 'estabilizar vizinhanças', alega diretora-geral da organização

Kristalina Georgieva defendeu ainda que grandes economias emergentes "não precisam de empréstimos do Fundo".

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, defendeu na quinta-feira (9), segundo a Reuters, a aprovação da 16ª Revisão Geral de Cotas do organismo, que prevê aumento de 50% nas contribuições financeiras dos países membros sem alteração no poder de voto dentro da instituição.

A proposta foi encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos durante a gestão do presidente norte-americano Donald Trump e integra a pauta das reuniões de Primavera do FMI, previstas para ocorrer na próxima semana, em Washington.

Segundo Georgieva, o reforço das cotas é necessário diante das incertezas do cenário internacional.

"Precisamos desse aumento. Por que precisamos? Porque simplesmente não sabemos o que o futuro pode trazer", afirmou durante evento de abertura das reuniões.

Brasil e Índia citados pelo FMI

Ao defender a medida, Georgieva mencionou o Brasil e a Índia como exemplos de grandes economias emergentes que não necessitam de empréstimos do Fundo, mas seguem dependentes do monitoramento econômico da instituição.

"Grandes economias como Brasil e Índia não precisam de empréstimos do Fundo, mas também precisam da vigilância do Fundo… precisam de nós para estabilizar suas vizinhanças", declarou.

De acordo com ela, a revisão das cotas vai além do aspecto financeiro.

"É o símbolo do Fundo sendo apoiado por todos os seus membros", disse.

Posição brasileira

O Brasil já manifestou apoio à aprovação da 16ª revisão e ao avanço para a próxima etapa do processo. Durante as reuniões anuais do FMI, em outubro de 2025, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que o organismo precisa alcançar "progressos concretos" na 17ª Revisão Geral de Cotas.

O país defende a redistribuição do poder de voto entre os membros do Fundo. O tema, no entanto, não avança devido à resistência de países com maior participação, que não demonstram disposição em reduzir sua influência dentro da instituição.