Presidente do PT defende reforma do Judiciário 'para que falhas deixem de acontecer'

Declaração de Edinho Silva foi feita durante jantar com Gilberto Kassab em evento promovido por empresários em São Paulo.

O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu a necessidade de reformas no Poder Judiciário durante um jantar com Gilberto Kassab, presidente do PSD, realizado na quinta-feira (9), em São Paulo. O encontro foi promovido pelo grupo de empresários Esfera Brasil e divulgado pela Folha de S.Paulo.

Ao abordar o tema, Edinho afirmou que o país deveria discutir mudanças estruturais no sistema judicial. "Deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer", disse.

O dirigente também ressaltou a importância de preservar a força das instituições e evitar a personalização do debate político.

"Fulanizar é muito fácil. As pessoas são falíveis. O importante é você ter instituições fortes", afirmou.

Mesmo ao defender ajustes, Edinho indicou que eventuais reformas não devem fragilizar o Judiciário, destacando a importância de uma estrutura institucional sólida para o funcionamento da democracia.

Pauta de lideranças

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou similarmente seu incômodo com a atual situação que afeta o alto escalão do Judiciário brasileiro. Na quarta-feira (8), Lula comentou em entrevista ao portal ICL Notícias que escândalos como o do Banco Master podem gerar desgastes institucionais, causando a perda de confiabilidade do Supremo para os cidadãos.

Para o ministro Alexandre de Moraes, Lula teria aconselhado que o magistrado deveria esclarecer as relações de Vorcaro com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, e que deveria se declarar impedido para o julgamento de processos relacionados.

Anteriormente, em janeiro, informações divulgadas na imprensa reportaram que o presidente estaria irritado com o ministro Dias Toffoli, ex-advogado do PT e assessor político das campanhas presidenciais de Lula, nos bastidores do Planalto.

Toffoli também está implicado no caso Master pela ligação de familiares a investimentos do ex-banqueiro. Lula teria supostamente conversado com aliados que Toffoli deveria renunciar ao cargo.

José Dirceu foi outra liderança petista que apontou na direção do atrito com o Judiciário, em uma entrevista publicada pela Folha de S.Paulo no domingo (5). "Quando uma pesquisa mostra que 70% das pessoas querem que o Supremo mude, a corte tem que fazer uma autorreflexão", apontou Dirceu. "E não é possível mais dizer: 'Se criticar o Supremo, você vai enfraquecer o Supremo'. O rei está nu."

Indo mais adiante em sua avaliação, o petista aponta que todos os Três Poderes devem ser reformados.

"O Legislativo vai seguir do jeito que está, com as emendas parlamentares? E acha que não vai acontecer nada? [...] O Executivo também tem que passar pela reforma administrativa. Nós queremos que a democracia seja desmoralizada e que se justifique um regime autoritário no Brasil?", sublinhou Dirceu.