
Especialista faz previsão sombria sobre a recuperação das exportações de gás do Oriente Médio

A crise no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) desencadeada pela guerra no Oriente Médio pode se prolongar por anos, alertou Menelaos Ydreos, secretário-geral da União Internacional do Gás (IGU) em entrevista à Reuters na quinta-feira (9).
Ydreos explicou que o conflito causou uma ruptura profunda na frágil cadeia logística do GNL, que depende de infraestruturas complexas, navios especializados e rotas previsíveis.

"Não foi uma crise de oferta. Foi uma crise da cadeia de suprimentos", afirmou o especialista. Com um elo quebrado, os carregamentos foram desviados para os compradores que puderam pagar mais, deixando desprotegidos os importadores mais pobres.
Os países menos ricos da Ásia, que já haviam sofrido uma crise de preços após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, foram especialmente atingidos.
Ademais, a reputação dos países-produtores do Golfo, tradicionalmente considerados fornecedores confiáveis, foi gravemente prejudicada.
Ydreos observou que o risco de concentração na região tornou-se evidente não apenas para o gás, mas também para o petróleo, os produtos petroquímicos e os fertilizantes.
A recuperação será lenta e difícil. Reiniciar as plantas de liquefação gravemente danificadas levará tempo, e os trabalhos de reparo podem se estender por anos. Mesmo uma recuperação parcial enfrentará obstáculos duradouros, como a limitada capacidade da frota mundial de navios metaneiros e os altos custos de frete.
