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Reunião entre Rutte e Trump termina em insultos e ameaças — Politico

Bastidores apontam clima tenso em reunião "desastrosa" entre Rutte e Trump.
Reunião entre Rutte e Trump termina em insultos e ameaças — PoliticoAlex Wong / Gettyimages.ru

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou forte irritação com aliados da OTAN durante uma reunião a portas fechadas com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, realizada na quinta-feira (9) na Casa Branca. Segundo funcionários ouvidos sob condição de anonimato, Trump chegou a insinuar possíveis medidas de resposta pela falta de apoio europeu durante a guerra contra o Irã, o Politico na quinta-feira (10).

De acordo com essas fontes, o encontro foi dominado por críticas de Trump à postura dos países europeus, que teriam se recusado a participar de ações militares contra o Irã. Um funcionário europeu classificou a reunião como "um desastre" e afirmou que a conversa se transformou em uma sequência de insultos. Ainda segundo ele, Trump teria feito ameaças vagas, dizendo que poderia "fazer quase qualquer coisa".

Outras pessoas familiarizadas com o assunto relataram que o presidente norte-americano deu a entender que avaliava diferentes opções de resposta, sem detalhar quais seriam. Algumas dessas fontes também afirmaram que Trump pressionou os aliados a tomarem medidas concretas para reabrir "o mais rápido possível" o estreito de Ormuz.

Já um funcionário da Casa Branca negou que Trump tenha feito exigências formais à OTAN durante a conversa com Rutte. Segundo ele, "a OTAN foi testada e falhou", repetindo uma avaliação feita pelo próprio presidente. O funcionário também afirmou que Trump não pediu ações específicas aos aliados e destacou que esses países "se beneficiam do estreito de Ormuz muito mais do que os Estados Unidos".

"Tigre de papel"

Na segunda-feira (6), Trump afirmou que decidiu se retirar do bloco quando a Aliança Atlântica não apoiou seus planos de adquirir a Groenlândia. "Queremos a Groenlândia. A OTAN não quer nos dar, então eu disse: 'Tchau, tchau'", declarou o presidente.

Trump tem criticado repetidamente a OTAN, descrevendo a aliança como um "tigre de papel", questionando sua capacidade real e chegando a insinuar que os EUA deixariam o bloco.

O presidente americano considera que o apoio de aliados tem sido insuficiente no seu conflito com o Irã, pois muitos deles negaram até mesmo o uso de bases para apoiar suas ações militares e também ignoraram seus pedidos de ajuda para reabrir o estreito de Ormuz, fechado de facto ao tráfego marítimo pelo Irã em resposta à agressão.

"Não precisávamos deles"

  • Em 20 de março, o chefe de Estado norte-americano repreendeu seus aliados por não atenderem imediatamente ao seu chamado para mobilizar meios navais no estreito de Ormuz, classificando-os como "covardes".
  • Trump então afirmou: "Foi um erro tremendo quando a OTAN simplesmente não esteve lá. Simplesmente não estavam lá". "Sempre teríamos estado lá por eles, mas agora, baseando-nos em suas ações, suponho que não temos por que estar, não é?", expressou o mandatário, questionando o grau de compromisso dos parceiros.
  • "Obviamente não precisávamos deles, porque não ajudaram em nada. Pelo contrário. Na verdade, eles se esforçaram para não fazer isso. Nem sequer queriam ceder essas pistas de pouso", havia expressado Trump anteriormente em referência às solicitações que o Pentágono fez aos membros da OTAN para que seus aviões militares utilizassem seus aeroportos como parte da ofensiva contra o Irã.