Trump acusa Irã de fazer 'um trabalho muito ruim' em relação ao Estreito de Ormuz

O presidente dos EUA indicou que atual gestão da rota marítima pela República Islâmica não faz parte do que foi acordado no cessar-fogo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou, nesta quinta-feira (9), o Irã de, segundo sua avaliação, fazer "um trabalho muito ruim" em relação à suposta cobrança de taxas para que barcos cargueiros passem pelo Estreito de Ormuz. A abertura da rota é um ponto-chave para manter o acordo de cessar-fogo, firmado na terça-feira (7).

"O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, até desonroso, segundo alguns, ao permitir a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que temos!", afirmou Trump por meio da Truth Social.

"Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz. É melhor que não seja assim e, se estiverem fazendo isso, é melhor que parem imediatamente!", disse, em outra publicação.

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Forças mobilizadas

Anteriormente, Trump também declarou na mesma rede social que as forças militares dos EUA permanecerão mobilizadas "em e ao redor do Irã" até que seja plenamente cumprido o que chamou de "acordo real".

Trump sustentou que "todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição adicional e armamento", permanecerão posicionados para a "destruição de um inimigo já substancialmente enfraquecido" e advertiu que, se o acordo não for respeitado, "será aberto fogo" com uma intensidade "maior, melhor e mais forte do que nunca".

O mandatário acrescentou que há tempos foi acordado que "não haveria armas nucleares" e que o Estreito de Ormuz "permanecerá aberto e seguro", indicando que as forças americanas estão "carregando e descansando", em preparação para futuras operações.

"Iniciar negociações é ilógico"

EUA e Irã acordaram um cessar-fogo de duas semanas. Enquanto isso, Teerã sustenta ter infligido "uma derrota inegável, histórica e esmagadora" a Washington.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na quarta-feira (8) que três cláusulas-chave da proposta de 10 pontos apresentada por Teerã como parte do cessar-fogo foram violadas pelos EUA antes mesmo do início das negociações.

"A própria 'base viável para negociar' foi violada aberta e claramente, inclusive antes de as negociações começarem. Nessa situação, um cessar-fogo bilateral ou iniciar negociações é ilógico", declarou em comunicado publicado no X.

Ghalibaf enfatizou que a "profunda desconfiança histórica" em relação aos EUA "decorre de repetidas violações de todo tipo de compromissos", um "padrão que, infelizmente, se repetiu mais uma vez".

Trégua frágil

Também na quarta-feira (9), segundo dia da trégua entre EUA e Irã, voltou a haver incerteza devido às constantes violações por parte de Israel, que lançou ataques em larga escala contra o Líbano, deixando pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, de acordo com a Defesa Civil libanesa.

Diante disso, o Irã colocou como condição nas negociações com os EUA que o cessar-fogo no Líbano seja tratado como "um elemento-chave" para reduzir a escalada do conflito no Oriente Médio. Além disso, Teerã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz em resposta à ofensiva israelense e às violações da trégua.

Neste contexto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a questão da renúncia do Irã ao urânio altamente enriquecido está entre as principais prioridades do presidente Donald Trump. A República Islâmica tem rejeitado reiteradamente essa exigência de Washington.