Entre Estado forte e mercado amplo: China explica pilares de seu crescimento

Para a porta-voz da chancelaria chinesa, "não há caminho curto para a prosperidade", e sim o "êxito do caminho, da visão e do modelo".

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, detalhou, nesta quinta-feira (9), as razões que explicam o bom desempenho econômico e social do país. "O sucesso não é um acidente (...) é uma manifestação dos pontos fortes do sistema. E do êxito do caminho, da visão e do modelo chineses", disse.

Mao falou sobre seu país ao ser questionada — durante coletiva de imprensa — sobre um artigo do economista e ex-ministro da Fazenda da Grécia Yanis Varoufakis. "É bem fundamentado, baseado em evidências, objetivo e bem embasado. Recomendo fortemente", comentou.

Geopolítica da desescalada

No texto, Varoufakis explica que, em sua visão, o desenvolvimento chinês acelerado não utilizou atalhos ou "trapaças". Ao contrário, é fruto de planejamento de longo prazo, de decisões acertadas e de erros das economias ocidentais.

O economista posiciona como prioridade geopolítica atual o rompimento de narrativas do Ocidente que colocam a China em uma rota de colisão com os Estados Unidos.

"A desescalada da nova guerra fria entre os EUA e a China deve se tornar a principal prioridade mundial. Para tanto, é essencial desmistificar uma poderosa crença que aumenta a probabilidade de guerra: a de que a China prosperou por meio de trapaças", sustenta o grego.

Modelo chinês

Para Mao, o desempenho chinês resulta da combinação entre o esforço da população e a liderança do Partido Comunista da China.

Segundo a porta-voz, "para um país tão grande quanto a China, nunca há um caminho curto para a prosperidade", mas sim uma trajetória gradual e sustentada, consequência de um modelo próprio de organização econômica e política.

Entre os principais pontos fortes citados, a porta-voz chinesa destacou a adoção contínua de planos quinquenais ao longo de décadas, o que garante "continuidade e consistência" nas políticas públicas e nas metas de desenvolvimento.

Outro elemento, argumentou, é a capacidade do Estado de coordenar recursos em grande escala. Mao afirmou que a China consegue "reunir esforços para realizar grandes projetos" em benefício de um desenvolvimento integrado.

Por fim, ela enfatizou o papel do capital humano, afirmando que o gigante asiático reúne o "maior contingente global de profissionais de pesquisa e desenvolvimento", além de ter a maior classe média do mundo e o segundo maior mercado consumidor.