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Quase metade dos usuários de internet do Brasil desconfia da imprensa tradicional, indica pesquisa

Consumo de notícias por aplicativos de mensagens e vídeos curtos já supera o alcance dos telejornais no país, aponta painel TIC; desigualdade de acesso entre classes sociais persiste.
Quase metade dos usuários de internet do Brasil desconfia da imprensa tradicional, indica pesquisaGettyimages.ru / rparobe

Quase metade (48%) dos brasileiros desconfia sempre ou na maioria das vezes das informações veiculadas por veículos de jornalismo profissional. É o que aponta a pesquisa do painel TIC. Os dados do levantamento, que será divulgado na sexta-feira (10), foram antecipados em reportagem publicada nesta quinta-feira (9) pela Folha de S.Paulo.

O número se destaca quando comparado ao de pessoas que não confiam nos conteúdos publicados por amigos ou familiares nas redes sociais (39%) ou em aplicativos de mensagens (42%).

O estudo foi feito pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

No levantamento, foram feitas entrevistas online com 5.250 usuários de 16 anos ou mais entre agosto e setembro de 2025. O estudo também aponta que apenas 36% dos usuários de internet afirmam checar sempre as informações que recebem por aplicativos de mensagens ou redes sociais.

Checagem de fatos

Outro indicativo é que muitos dos entrevistados não pareciam se preocupar com a veracidade das informações que recebem. Cerca de 34% afirmaram não checar a veracidade do conteúdo.

A coordenadora do CGI.br, Renata Mieli, disse à Folha que os resultados "são muito preocupantes e mostram a fragilidade na construção da opinião pública". "A confiança no interlocutor tem mais valor que a própria veracidade do conteúdo", destacou.

A especialista também alertou que as pessoas hoje dão preferência ao consumo de informações que não passaram por uma apuração prévia.

Os percentuais aos quais a reportagem teve acesso indicam que o número de usuários que acessam notícias pelo menos uma vez por dia em aplicativos de mensagens é de 60% e, em aplicativos de vídeos curtos, é de 52%. Já em sites e aplicativos de vídeo, o índice é de 50%. Esses números superam os daqueles que dizem acessar com frequência notícias por telejornais (45%).

A pesquisa ainda aponta que os números variam de acordo com a renda e a escolaridade. O acesso diário a sites ou portais de notícia é de 58% entre as classes A e B, 33% na classe C e 27% nas classes D e E.