Justiça retira chinesa BYD da 'lista suja' do trabalho escravo

Decisão da Justiça do Trabalho considera que a inclusão da montadora chinesa pode ter sido ilegal; caso está relacionado a obras em fábrica na Bahia.

O juiz da 16ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) Luiz Fausto Marinho de Medeiros removeu, na quarta-feira (8), a montadora chinesa BYD da lista de empresas acusadas de empregar trabalhadores em condições análogas à escravidão, conhecida como "lista suja".

Segundo a agência Reuters, que teve acesso ao documento, a medida foi tomada em caráter liminar e retira temporáriamente o nome da fabricante.

A ordem diz, de acordo com a reportagem, que adicionar a empresa à "lista suja" brasileira pode ser ilegal, já que a decisão se baseia na premissa de que a montadora foi a verdadeira contratante dos trabalhadores.

A Reuters afirma ter entrado em contato com a fabricante de automóveis, que ainda não respondeu.

O caso

O Ministério do Trabalho e Emprego incluiuna segunda-feira (6), a filial brasileira da montadora chinesa BYD na atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, a "lista suja".

A decisão ocorre após um escândalo trabalhista envolvendo a construção da fábrica da empresa no estado da Bahia.

Segundo autoridades brasileiras, a empresa foi responsabilizada por submeter trabalhadores chineses a condições "degradantes" durante as obras do empreendimento.

Em dezembro de 2025, a BYD e empresas contratadas firmaram acordo com o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de R$ 40 milhões em indenizações.

O entendimento, porém, não anulou o registro administrativo resultante da fiscalização trabalhista, já que não houve acordo específico com os auditores responsáveis pelo processo.