Argentina se distancia de trecho sobre racismo em declaração conjunta da ZOPACAS

Inciso em questão destaca "peso histórico da rota transatlântica no tráfico de pessoas escravizadas", mencionando recente resolução da ONU sobre o assunto.

Os ministros dos Estados membros da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) divulgaram, nesta quinta-feira (9), a chamada Declaração do Rio de Janeiro, após reuniões realizadas na manhã do mesmo dia e na véspera.

A nota conjunta aborda temas de cooperação política, segurança e desenvolvimento sustentável no Atlântico Sul, com ênfase na manutenção da região como zona de paz, livre de armas nucleares e de rivalidades geopolíticas.

Em um dos incisos, o de nº 22, o grupo reconhece o "peso histórico da rota transatlântica no tráfico de pessoas escravizadas" e destaca a necessidade de "cooperar na tarefa essencial de enfrentar as persistentes mazelas decorrentes da escravidão, do colonialismo e do neocolonialismo", além de ampliar os esforços de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial.

Nesse trecho, são mencionadas como referência iniciativas como a Carta da Diáspora Africana (2024), a Declaração e o Programa de Ação de Durban (2001) e uma resolução da ONU de 2026 que classifica a escravidão como "o mais grave crime contra a humanidade".

O governo da Argentina, liderado pelo presidente Javier Milei, solicitou a inclusão de uma ressalva sobre esse ponto, na qual afirma que se "dissocia das referências a certas iniciativas e documentos mencionados no parágrafo 22, que não refletem necessariamente entendimentos atuais ou compromissos universalmente assumidos".

Apesar da ressalva, Buenos Aires reiterou seu "compromisso com a luta contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e intolerâncias correlatas, assim como com a promoção da igualdade e da dignidade humana de todos os seres humanos".

A Argentina, ao lado dos Estados Unidos e de Israel, esteve entre os três únicos países que votaram contra uma resolução da ONU, adotada em março deste ano, que classifica o tráfico de africanos escravizados como "o crime mais grave contra a humanidade". A medida recebeu apoio de 123 países, enquanto 52 se abstiveram, incluindo o Reino Unido e membros da União Europeia.