
'MMIWG2SLGBTQQIA+': congressista canadense chama atenção com extensa sigla para minorias

A deputada canadense Leah Gazan criticou, na quarta-feira (8), em discurso no Parlamento, os cortes de US$ 7 bilhões em programas voltados aos povos indígenas e chamou a atenção ao usar uma sigla de 16 caracteres: "MMIWG2SLGBTQQIA+"*.
A sigla, em inglês, se refere às seguintes minorias: mulheres, meninas e pessoas indígenas desaparecidas e assassinadas, incluindo pessoas de dois espíritos, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, em questionamento, intersexo e assexuais.
Ela denunciou o que classificou como um "genocídio em curso" contra mulheres, meninas e minorias sexuais indígenas no Canadá.
Segundo a parlamentar, os recursos foram reduzidos em áreas como a Indigenous Services Canada e a Crown-Indigenous Relations, enquanto o governo federal aumentou os gastos militares em US$ 13 bilhões, o que, em sua visão, expõe prioridades políticas incompatíveis com a proteção dessas populações.
Durante seu discurso, Gazan afirmou que mulheres indígenas e pessoas "MMIWG2SLGBTQQIA+" não estão seguras no país e acusou o governo de retirar financiamento essencial de organizações que atuam na linha de frente. "Isso é abominável. Isso é insensível", declarou.

A deputada também disse que o direito à vida dessas populações está ameaçado pela "falta de vontade política" e sugeriu a adoção das 231 recomendações conhecidas como "Calls for Justice", elaboradas após investigações nacionais sobre mortes e desaparecimentos de mulheres indígenas.
Em publicação na rede social X, Gazan reiterou as críticas e afirmou que o governo opta por ignorar obrigações legais ao não enfrentar o que classificou como genocídio contínuo, apesar de reconhecer de forma oficial as conclusões das investigações sobre o tema.
Ela ainda pediu a reversão imediata dos cortes e a garantia de um financiamento sustentável a longo prazo para organizações e grupos familiares, alertando para o aumento da violência contra as mulheres e pessoas indígenas no país.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.
