Entenda como ação liberada por Moraes ao plenário sobre delações pode impactar caso Master

Ação do PT no Supremo Tribunal Federal questiona critérios e uso de informações obtidas em acordos de colaboração.

O ministro Alexandre de Moraes liberou para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (8), uma ação que busca estabelecer limites claros para acordos de delação premiada.

A ação foi apresentada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2021 e questiona os limites legais da delação premiada, defendendo que a Corte estabeleça critérios mais claros sobre quando e como as informações obtidas em acordos de colaboração podem ser usadas em investigações e processos judiciais.

O caso estava sem movimentação significativa desde julho de 2025, tendo recebido parecer contrário da Procuradoria-Geral da República em junho de 2022.

Relação com caso Master

A decisão do STF surge em meio às negociações de delação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado.

Ambos preparam uma proposta de colaboração com a Justiça, que poderá incluir informações sobre terceiros e, possivelmente, benefícios para familiares.

Conforme a jornalista Malu Gastar, do jornal O Globo, a defesa de Vorcaro está articulando para iniciar a delação do banqueiro até o final do mês de abril.

Fundamentos da ação

Segundo o advogado Lenio Streck, um dos autores da ação entrevistado pelo jornal Metrópoles, a iniciativa busca "corrigir os defeitos da legislação para que não sejam repetidos erros do passado" — evocando o histórico recente do país com as delações, como na operação Lava Jato —, enfatizando que o instituto deve ser utilizado com todas as cautelas necessárias.

Ele ressaltou que o caso "já deveria ter sido julgado" e que espera um julgamento pelo plenário do Supremo, indicando que "o Brasil ganhará com isso".

Entre os pontos levantados estão a validade de delações feitas por pessoas em prisão cautelar ilegal, restrições ao uso da delação cruzada (quando um acusado delata outro) e a necessidade de regras objetivas para negociação das cláusulas dos acordos.

A delação de Vorcaro, que está preso desde 4 de março, pode ser impactada em face de uma decisão que acate o pedido de "ajuste de balizas [...] constitucionais à aplicação do instituto da colaboração premiada", sendo atravessada por condições mais estritas de proposição e por um efeito mais limitado no uso de seu conteúdo para julgamentos.