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Como foi o encontro entre Rutte e Trump em meio às ameaças dos EUA saírem da OTAN

O presidente americano chegou à reunião privada sugerindo que estava considerando deixar o bloco militar depois que os membros da Aliança Atlântica ignoraram seu apelo para se juntarem à guerra contra o Irã.
Como foi o encontro entre Rutte e Trump em meio às ameaças dos EUA saírem da OTANAP / Alex Brandon /

O encontro entre Donald Trump e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, parece não ter alterado significativamente a postura do presidente dos EUA em relação aos seus aliados do bloco militar, informou o Politico nesta quinta-feira (9).

A agência AP, por sua vez, observou que Trump chegou à reunião sugerindo que estava considerando deixar o bloco militar depois que os membros da OTAN ignoraram seu apelo para se juntarem à guerra contra o Irã.

Após a reunião, Trump expressou sua convicção de que a Aliança Atlântica não viria em auxílio dos EUA se necessário novamente.

"A OTAN não estava lá quando precisamos dela, e não estará se precisarmos novamente", escreveu o presidente nas redes sociais. 

Segundo reportagem do Wall Street Journal, a Casa Branca está considerando um plano de retaliação contra alguns membros da OTAN que Trump acredita terem sido prejudiciais aos EUA e a Israel durante a guerra com o Irã.

A proposta em análise prevê a transferência de tropas americanas dos países da aliança visados ​​para países considerados mais favoráveis. Essa medida, porém, não chega a ser uma retirada completa da aliança, como os EUA ameaçaram fazer, diz o jornal. 

"Tigre de papel"

Na segunda-feira (6), Trump afirmou que decidiu se retirar do bloco quando a Aliança Atlântica não apoiou seus planos de adquirir a Groenlândia. "Queremos a Groenlândia. A OTAN não quer nos dar, então eu disse: 'Tchau, tchau'", declarou o presidente.

Trump tem criticado repetidamente a OTAN, descrevendo a aliança como um "tigre de papel", questionando sua capacidade real e chegando a insinuar que os EUA deixariam o bloco.

O presidente americano considera que o apoio de aliados tem sido insuficiente no seu conflito com o Irã, pois muitos deles negaram até mesmo o uso de bases para apoiar suas ações militares e também ignoraram seus pedidos de ajuda para reabrir o estreito de Ormuz, fechado de facto ao tráfego marítimo pelo Irã em resposta à agressão.

"Não precisávamos deles"

  • Em 20 de março, o chefe de Estado norte-americano repreendeu seus aliados por não atenderem imediatamente ao seu chamado para mobilizar meios navais no estreito de Ormuz, classificando-os como "covardes".
  • Trump então afirmou: "Foi um erro tremendo quando a OTAN simplesmente não esteve lá. Simplesmente não estavam lá". "Sempre teríamos estado lá por eles, mas agora, baseando-nos em suas ações, suponho que não temos por que estar, não é?", expressou o mandatário, questionando o grau de compromisso dos parceiros.
  • "Obviamente não precisávamos deles, porque não ajudaram em nada. Pelo contrário. Na verdade, eles se esforçaram para não fazer isso. Nem sequer queriam ceder essas pistas de pouso", havia expressado Trump anteriormente em referência às solicitações que o Pentágono fez aos membros da OTAN para que seus aviões militares utilizassem seus aeroportos como parte da ofensiva contra o Irã.