Diplomatas brasileiros avaliam que o Irã tende a sair fortalecido após o conflito com Estados Unidos e Israel, apesar dos danos à infraestrutura e à economia, informou a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (9).
Os ataques começaram em 28 de fevereiro, com ofensivas de larga escala contra o território iraniano. Apesar do planejamento antecipado das ações militares, integrantes do Itamaraty consideram que o país conseguiu resistir às investidas.
Na leitura de um diplomata, ataques a escolas, universidades e infraestrutura civil impactaram a percepção interna no país. Segundo ele, parte da população passou a rejeitar o alinhamento com forças externas que afirmam apoiar mudanças políticas no Irã.
Estreito de Ormuz e pressão internacional
Na avaliação de um outro diplomata, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esperava uma "vitoriazinha fácil", cenário que, segundo ele, não se concretizou ao longo do conflito.
O mesmo profissional afirma que o Irã utilizou o fechamento do Estreito de Ormuz como principal instrumento estratégico. A rota concentra cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Segundo essa leitura, a instabilidade na região elevou os preços do combustível em diversos mercados. O movimento ampliou a pressão sobre o governo americano, tanto internamente quanto no cenário internacional, em meio às consequências econômicas do conflito.
Economia adaptada e resposta interna
Diplomatas também apontam que o Irã causou danos às bases militares dos Estados Unidos em países do Oriente Médio. Segundo essa avaliação, a recomposição da presença militar norte-americana na região deve levar anos.
Um diplomata familiarizado com o país persa afirma que décadas de sanções levaram o país a estruturar uma economia adaptada à resistência. Esse modelo ampliou a capacidade de resposta em cenários de conflito.
O país passou a priorizar produção interna em setores estratégicos, como alimentos, medicamentos e bens industriais. A estratégia reduziu a dependência externa e evitou desabastecimento mesmo diante de restrições causadas por conflitos.