Moscou condena fortemente o ataque israelense em grande escala contra o Líbano, lançado na quarta-feira (8), causando inúmeras vítimas civis, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova em um comunicado oficial.
Citando as autoridades libanesas, a porta-voz destacou que o número de mortos nos bombardeios, qualificados como "sem precedentes" devido à sua escala sobre a capital e outras localidades, ultrapassou 250, enquanto mais de 1.100 pessoas ficaram feridas.
"Expressamos nossas mais sinceras condolências aos familiares e entes queridos das vítimas e desejamos uma rápida recuperação aos feridos", afirmou Zakharova.
A porta-voz destacou que o ataque ocorreu "praticamente imediatamente" após a entrada em vigor do acordo entre os EUA e o Irã para uma trégua de duas semanas.
Ela alertou que as ações agressivas ameaçam frustrar o processo de negociações e aumentam drasticamente o risco de uma retomada de um confronto armado em grande escala no Oriente Médio.
Zakharova afirmou que Moscou pede um cessar-fogo "o mais rápido possível" na zona do conflito entre Israel e o Líbano e um retorno aos esforços político-diplomáticos, reafirmando o apoio do país à "soberania, independência, unidade e integridade territorial" da República Libanesa e sua disposição de cooperar com parceiros regionais e internacionais para alcançar uma "estabilização sustentável" no Líbano e na região em geral.
Na fronteira do cessar-fogo
- Os EUA e o Irã chegaram a um acordo na terça-feira (7) para um cessar-fogo de duas semanas, após 39 dias seguidos de hostilidades. Poucas horas após o anúncio, as Forças de Defesa de Israel (IDF) fizeram seu maior ataque contra o sul do Líbano e sua capital, Beirute, desde o início da guerra.
- O primeiro-ministro do Paquistão e mediador do acordo, Shehbaz Sharif, afirmou que o cessar-fogo incluía o Líbano, enquanto o gabinete do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, negou a afirmação. O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou que o país estaria excluído do acordo.
- O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz foi novamente interrompido pelas forças iranianas devido aos ataques ao Líbano, provocando uma advertência da Guarda Revolucionária para uma "resposta esmagadora" contra EUA e Israel, que foi reiterada pelo movimento Houthi do Iêmen.