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Dois dias em um barco e três mortos: novos detalhes do ataque a cargueiro no Mar de Azov

"Eu nem imaginava que o navio dele pudesse se tornar um alvo. Levavam trigo para alimentar as pessoas", afirmou a esposa de um marinheiro ferido.
Dois dias em um barco e três mortos: novos detalhes do ataque a cargueiro no Mar de AzovTelegram / SALDO_VGA

Familiares dos tripulantes do cargueiro russo Volgo-Balt 138 relataram à RT na segunda-feira (6) que, depois de sofrerem um ataque de drones ucranianos no Mar de Azov, os sobreviventes passaram dois dias em um bote até chegarem à costa, onde receberam assistência médica e não correm risco de vida.

No entanto, o ataque deixou três mortos, entre eles o primeiro oficial do navio, de 35 anos, e outros dois tripulantes. O capitão, Andrey Bolshakov, foi gravemente ferido e foi hospitalizado. "Ele teve concussão cerebral, fratura na face, hematomas e ferimentos causados por estilhaços no braço e na perna", afirmou à RT a esposa do capitão, Olga Bolshakova.

A mulher explicou que tomou conhecimento do ocorrido na manhã do dia 5 de abril. "Foi ele mesmo quem me ligou e disse apenas que estava ferido. Depois da ligação, tive um ataque de pânico, minha pressão subiu e tive que chamar a ambulância", lembrou.

Olga destacou que o navio fazia "a viagem mais tranquila que existe", transportando trigo do porto de Azov, na província de Rostov, para o porto de Kavkaz, na província de Krasnodar.

"Eu nem imaginava que o navio dele pudesse se tornar um alvo. Levavam trigo para alimentar as pessoas. Estavam fazendo coisa boa, mas o inimigo não distingue quem está diante dele", lamentou.

Olga destacou que representantes da empresa proprietária do navio mantiveram a situação sob controle e prestaram apoio às famílias.

Detalhes do ataque

De acordo com os serviços operacionais, o navio foi atacado em 3 de abril e, após sofrer um incêndio e danos no casco, começou a afundar.

Dos onze tripulantes, nove conseguiram ser evacuados. O primeiro oficial morreu posteriormente devido aos ferimentos, e os corpos de outros dois marinheiros foram encontrados em 6 de abril.

Entre os sobreviventes está o terceiro mecânico, Damir Imangaziev. Um conhecido dele, Roman Shcherbаkov, que trabalhou no mesmo navio em 2022, descreveu-o como "uma pessoa responsável e um bom colega", explicando que ele foi "militar de carreira no passado", tendo servido na Frota do Cáspio, antes de passar a trabalhar como mecânico.

"Ele entrou em contato com a esposa e informou que estava vivo. Só que não foi possível salvar os pertences", afirmou. "Em uma situação extrema, quando o navio estava afundando, os marinheiros tinham um único pensamento: sobreviver. Todo o resto, incluindo os pertences pessoais, passou para segundo plano", acrescentou.

O governador da província de Kherson, Vladimir Saldo, classificou o ocorrido como "ataque terrorista" e prometeu que os responsáveis "serão punidos".

"Não é o primeiro caso em que a Ucrânia ataca navios civis em águas neutras. Haverá resposta por esses crimes", advertiu.

O porta-voz do governador, Vladimir Vasilenko, declarou que o cargueiro "afundou completamente", ressaltando que "a prioridade agora é evitar um possível derramamento de combustível".