Tabata Amaral volta a defender projeto que pode criminalizar críticas ao Estado de Israel

A deputada do PSB, cumprindo agenda nos EUA, comentou as críticas ao afirmar que "os extremos se parecem" e lamentou sobre parlamentares "mais à esquerda" que desistiram do apoio à proposta.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), cumprindo agenda em Washington, voltou a defender, na quarta-feira (8), um projeto de lei sobre "combate ao antissemitismo" em entrevista ao R7.

A proposta tem gerado divergências por incluir definições que abordam manifestações relacionadas ao Estado de Israel.

Ao comentar as críticas, a deputada atribuiu parte da repercussão à desinformação. "Infelizmente a gente tá num momento muito polarizado do Brasil e tá tendo muita, muita fake news sobre esse projeto."

A parlamentar afirmou que a iniciativa visa proteger a comunidade judaica no Brasil sem impedir críticas ao governo israelense. Ela citou "atrocidades que Netanyahu está cometendo o mundo afora" e defendeu que esses atos sejam condenados.

Na sequência, a deputada buscou diferenciar críticas ao Estado de Israel de ataques à comunidade judaica. "Antissemitismo é uma coisa, críticas ao estado de Israel [...] é outra coisa."

Cenário brasileiro

Ao comentar o cenário atual, a deputada afirmou: "Por conta, inclusive, do quanto Israel tá na mídia, muitas vezes com notícias ruins, as comunidades judaicas no Brasil vêm se sentindo muito inseguras."

Ela afirmou que críticas a governos não podem ser usadas para justificar discriminação. "Uma coisa é você criticar [...] um governo. Outra coisa é você usar como desculpa [...] para dizer que um brasileiro [...] não pode comprar, não pode vender, não pode andar em segurança."

O debate em torno do projeto, no entanto, envolve posicionamentos divergentes.

Em manifestação pública, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos afirmou: "Existe uma tentativa de enquadramento de toda crítica ao Estado de Israel e suas políticas e ações direcionadas aos palestinos e aos territórios ocupados como antissemitismo, mediante manobras diversionistas que deslocam a discussão, deslegitimam as críticas e violam princípios do debate democrático".

Esse ponto concentra críticas de especialistas e parlamentares, que apontam possível impacto sobre a liberdade de expressão.

Embate político sobre a proposta

O projeto foi apresentado com apoio de mais de 40 parlamentares de diferentes partidos, segundo a deputada.

Parte desse grupo, no entanto, recuou. Oito congressistas que haviam coassinado a proposta pediram a retirada das assinaturas — sendo seis do PT, um do PV e um da Rede.

Tabata atribuiu o movimento à pressão nas redes sociais e ao cenário político. "Infelizmente o Brasil tá vivendo um momento de muita polarização e os extremos se parecem quando eles usam a mentira, o ataque pessoal para manifestar uma discordância."

A deputada lamentou que parlamentares que participaram da elaboração do texto acabaram recuando diante das críticas. "Esses parlamentares do PT, da Rede, de partidos mais à esquerda, que concordavam com o projeto, que participaram da escrita do projeto, decidiram recuar."