No último episódio de seu podcast, o jornalista norte-americano Tucker Carlson classificou como inimigos dos Estados Unidos aqueles que se opõem ao cessar-fogo na agressão contra o Irã.
"Quem se opõe ao cessar-fogo não é aliado dos Estados Unidos, mas sim adversário dos interesses do país, talvez até um inimigo", declarou Carlson.
Segundo ele, continuar a guerra seria mais prejudicial para os EUA do que manter o cessar-fogo atual. "A guerra total [...] é tão ruim que assumir certa humilhação e algumas perdas mensuráveis ainda é melhor do que isso", afirmou.
Carlson argumentou que não é preciso ser especialista em geopolítica para entender que mortes de americanos, a falência do país e a alta das commodities estão afetando a economia global. "A própria incerteza já é um custo", reforçou.
Para o jornalista, continuar a sofrer perdas é "muito pior do que um acordo que ao menos reduza, em certa medida, os danos". "Essa situação ainda pode nos enfraquecer e nos prejudicar ainda mais. A maioria das pessoas razoáveis vê o cessar-fogo como uma vitória porque, em termos relativos, de fato é", acrescentou.
Ele questionou ainda os que se opõem à trégua: "Quem não vê isso como algo bom precisa explicar por que seria do interesse dos Estados Unidos continuar com isso. Qual o objetivo? Qual a meta? Ninguém explicou de verdade. Enfraquecer o Irã, mudar o regime? O que isso significa? Abrir o estreito de Ormuz? Como? Que nos digam”.
Carlson concluiu destacando a falta de um plano claro: "Não existe uma única pessoa no Pentágono que saiba como fazer isso. Eles vivem de fazer guerra. Alguns são bastante inteligentes, mas não conseguem descobrir como impor isso pela força, caso contrário, já teriam feito. Qual é o plano? Bem, obviamente, não há nenhum plano".
Paz no Oriente Médio
Na noite de terça-feira (7), Trump anunciou que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios e ataques contra o Irã, mas condicionou a medida à aceitação, por parte da República Islâmica, da "abertura completa, imediata e segura" do Estreito de Ormuz.
Segundo publicação do presidente na plataforma Truth Social, a decisão foi tomada após conversas com líderes do Paquistão. Trump afirmou que os Estados Unidos já "cumpriram e superaram todos os seus objetivos militares" e que as partes estão "muito avançadas" na elaboração de um acordo definitivo para alcançar uma "paz de longo prazo" com o Irã e garantir "paz no Oriente Médio".
De acordo com Teerã, Washington teria aceitado um plano iraniano de dez pontos. Pelo documento, os Estados Unidos se comprometeriam, entre outras medidas, a não voltar a atacar a República Islâmica, respeitar o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e aceitar o enriquecimento de urânio pelo país.
Ainda segundo autoridades iranianas, seguindo recomendações do novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, decidiu realizar negociações com os Estados Unidos em Islamabad para finalizar os detalhes do acordo. A expectativa é que, em até 15 dias, "após a vitória do Irã no campo de batalha, ela possa ser consolidada também nas negociações políticas".