'Admiro muito sua liderança': Chefe da OTAN detalha encontro com Trump

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, assegurou nesta quarta-feira (8) que o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi uma "reunião entre amigos".
"O que senti hoje é que se tratava de um encontro entre amigos, porque nos damos bem, admiro muito sua liderança (…) e os aliados da OTAN estão ao seu lado no que diz respeito ao objetivo de eliminar a capacidade nuclear e de mísseis balísticos do Irã", afirmou o chefe da Aliança Atlântica em uma entrevista à CNN.
Após ser questionado sobre sua reação quando o mandatário norte-americano ameaçou acabar com toda a civilização iraniana, Rutte reafirmou seu apoio a Trump. "Não vou comentar tudo. O que quero que saibam é que apoio o presidente e sei que uma grande parte da Europa também", asseverou.
Por outro lado, Rutte admitiu que Trump "está claramente decepcionado com muitos aliados da OTAN", pela falta de apoio de seus aliados na guerra contra o Irã. "Entendo seu ponto de vista, mas ao mesmo tempo também pude sinalizar o fato de que a grande maioria dos países europeus colaborou", afirmou.
O chefe da aliança detalhou que os aliados ajudaram Washington em matéria logística e com sobrevoos, mas especialmente "mostrando seu apoio à ideia de que era realmente crucial reduzir a capacidade nuclear e de mísseis balísticos do Irã, e que, neste momento, apenas os Estados Unidos eram capazes de fazê-lo", declarou.
"Não precisávamos deles"
- Na noite de terça-feira (7), Donald Trump anunciou que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios e ataques contra o Irã no âmbito de um acordo de cessar-fogo, mas condicionando a medida a que a República Islâmica aceite a "abertura completa, imediata e segura" do Estreito de Ormuz. No entanto, ao longo do conflito, ele manifestou reiteradamente seu descontentamento com a Aliança Atlântica.
- Em 20 de março, o chefe de Estado norte-americano repreendeu seus aliados por não atenderem imediatamente ao seu chamado para mobilizar meios navais no Estreito de Ormuz, classificando-os como "covardes" e asseverando que, sem Washington, a OTAN era "um tigre de papel".
- Trump então afirmou: "Foi um erro tremendo quando a OTAN simplesmente não esteve lá. Simplesmente não estavam lá". "Sempre teríamos estado lá por eles, mas agora, baseando-nos em suas ações, suponho que não temos por que estar, não é?", expressou o mandatário, questionando o grau de compromisso dos parceiros.
- "Obviamente não precisávamos deles, porque não ajudaram em nada. Pelo contrário. Na verdade, eles se esforçaram para não fazer isso. Nem sequer queriam ceder essas pistas de pouso", disse Trump anteriormente, em referência ao pedido que o Pentágono fez aos membros da OTAN para utilizar bases e aeroportos europeus como parte da ofensiva contra o Irã.
