Galípolo contraria Lula e nega culpa de Campos Neto no caso do Banco Master

De acordo com o presidente do Banco Central, processos internos não apontaram responsabilização de seu antecessor, indicado por Jair Bolsonaro.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apresentou nesta quarta-feira (8) uma versão diferente da defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso Banco Master. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, ele afirmou que auditorias e sindicâncias internas não identificaram responsabilidade do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto.

No mesmo dia, Lula atribuiu a Campos Neto a origem do escândalo, afirmando que o ex-dirigente "é a serpente que pôs o ovo" do caso. O presidente também declarou que a regularização do Banco Master ocorreu durante a gestão do último presidente da instituição, associando o episódio a decisões tomadas em governos anteriores.

O chefe do Executivo defendeu que as investigações devem continuar, afirmando que todos os envolvidos devem "pagar o preço". Ele ressaltou ainda que não se pode ter limites na apuração, inclusive dentro do próprio governo. Lula também criticou a forma como as investigações são conduzidas no Congresso, apontando para uma tentativa de politização.

Galípoli, em seu depoimento, afirmou que os processos internos não apontaram responsabilização de Campos Neto, destacando que a autoridade monetária seguiu os ritos legais, comunicando o Ministério Público Federal e a Polícia Federal após encontrar irregularidades.

Caso Banco Master

O Banco Central detectou irregularidades na carteira de crédito do Master durante uma tentativa de aquisição por parte do BRB em 2025, quando foram identificados ativos sem lastro. O rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) chega a quase R$ 52 bilhões.

O fundador do banco, Daniel Vorcaro, está preso e sendo investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. O caso segue em apuração com uma possível delação premiada de Vorcaro e de seu cunhado.