
'Um desastre, uma catástrofe': primeira reação de enviado de Trump ao plano de paz iraniano

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, ficou furioso após receber, na segunda-feira (6), a resposta do Irã à proposta americana sobre uma possível trégua, informa nesta quarta-feira (8) o jornal americano Axios, citando fontes próximas ao representante.
"Na manhã de segunda-feira, enquanto [Donald] Trump se misturava à multidão em uma celebração da Páscoa na Casa Branca, um Steve Witkoff 'muito irritado' não parava de fazer ligações. O enviado americano disse aos mediadores que a contraproposta de 10 pontos que os EUA acabavam de receber do Irã era 'um desastre, uma catástrofe'", destacou o veículo de comunicação.

Dia "caótico"
Segundo as fontes, isso deu início a um dia "caótico" de alterações: os mediadores paquistaneses trocavam novas versões preliminares entre Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enquanto os ministros das Relações Exteriores do Egito e da Turquia tentavam ajudar a superar as divergências.
Na noite de segunda-feira (6), os mediadores já tinham a aprovação de Washington para uma proposta atualizada de cessar-fogo de duas semanas. Cabia então ao novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, tomar uma decisão, o qual — segundo as fontes — participou ativamente do processo.
Enquanto isso, as forças americanas no Oriente Médio e os funcionários do Pentágono passaram essas horas finais preparando uma campanha massiva de bombardeios contra infraestruturas iranianas e tentando descobrir para que lado Trump estava se inclinando. "Não tínhamos a menor ideia do que iria acontecer. Foi uma loucura", afirmou um funcionário do Pentágono.
Como correram as negociações
Outra fonte indicou que Araghchi também desempenhou um papel central tanto na condução das negociações quanto na tarefa de convencer os comandantes da Guarda Revolucionária a aceitarem o acordo. A China, por sua vez, aconselhava o Irã a buscar uma saída.
Contudo, no final, todas as decisões importantes de segunda (6) e terça-feira (7) passaram por Khamenei. "Sem o seu aval, não teria havido acordo", destacou a fonte regional.
Por volta do meio-dia de terça-feira (7) — horário da costa leste dos Estados Unidos — já havia um consenso geral de que as partes estavam convergindo para um cessar-fogo de duas semanas. Três horas depois, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, pediu em publicação em rede social que ambas as partes aceitassem as condições.
Imediatamente, Trump começou a receber ligações e mensagens de texto de aliados e pessoas de confiança da linha dura que urgiam ao presidente que rejeitasse o acordo. A incerteza sobre sua postura era tanta, inclusive entre seus colaboradores mais próximos, que várias pessoas que haviam falado com ele apenas algumas horas antes continuavam convencidas de que ele descartaria a oferta, aponta a Axios.
- Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo nesta terça-feira (7) sobre um cessar-fogo de duas semanas. Washington informou ter recebido uma proposta de 10 pontos de Teerã, que considerou "uma base viável" para as negociações. O Conselho Nacional de Segurança iraniano, por sua vez, comunicou que os EUA "foram obrigados a aceitar" tal proposta.

