Brasil retoma exportação privada de terras raras com fornecimento para país da OTAN

A exportação de monazita foi retomada após sete anos; refino ainda ocorre fora do país; o mineral concentra elementos de terras raras utilizados na produção de ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações em energia nuclear e defesa.

A ADL Mineração fez no domingo (5) o primeiro embarque de monazita para o exterior, com destino ao Canadá, informou o BrazilEconomy na terça-feira (7). A operação marca a retomada das exportações por uma empresa privada após anos de predominância estatal no setor.

O último envio havia ocorrido há sete anos, conduzido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O novo embarque indica aumento da participação privada em um mercado ligado a cadeias industriais estratégicas.

Exportação marca mudança no setor mineral

A monazita concentra elementos de terras raras utilizados na produção de ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações em energia nuclear e defesa.

A empresa planeja exportar entre 500 e mil toneladas até o fim de 2026, com destinos como Canadá, Estados Unidos e China. A meta é alcançar cerca de 3 mil toneladas exportadas em até dois anos.

Segundo Adelina Lee, CEO da companhia, o envio representa a entrada de um operador privado após décadas. A executiva afirma que a operação reflete o potencial competitivo do país no fornecimento de insumos estratégicos.

A empresa atribui o avanço às mudanças regulatórias recentes, que permitiram atender exigências técnicas, ambientais e de segurança para atuação com minerais sensíveis.

Além da monazita, a mineradora atua com ilmenita, zirconita e rutilo. A operação inclui cooperação com a INB em projetos ligados a minerais estratégicos.

A retomada ocorre em meio à ampliação da demanda global por matérias-primas críticas.