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EUA estariam usando ajuda humanitária como moeda de troca para exploração na África — WP

O sigilo inédito em torno de acordos internacionais no programa de saúde americano se tornou um motivo de preocupação para especialistas.
EUA estariam usando ajuda humanitária como moeda de troca para exploração na África — WPGettyimages.ru / Michel Lunanga / Stringer

O sigilo que circunda acordos negociados pelo governo Trump com nações mais pobres alimenta receios de que bilhões de dólares para combate a doenças estejam sendo usados para conseguir concessões políticas aos EUA, revelou o jornal americano Washington Post na segunda-feira (6), citando especialistas.

Majoritariamente negociados com países africanos, os EUA firmaram 28 acordos com governos estrangeiros, cujos termos completos as autoridades dos EUA se recusaram a divulgar, rompendo com práticas anteriores de transparência. 

Países em frustração

O sigilo desses entendimentos tem gerado insatisfação entre países parceiros, segundo a reportagem.

O Zimbábue interrompeu suas negociações após avaliar que as conversas "desequilibradas" ameaçavam sua soberania nacional, o que provocou o anúncio do encerramento gradual da assistência sanitária dos EUA ao país. Na Zâmbia, onde a assinatura era prevista para dezembro, as tratativas se tornaram alvo de denúncias de que os americanos condicionaram o envio dos recursos à exploração de minerais críticos, embora o Departamento de Estado negue tais acusações.

Documentos de cinco acordos — com Quênia, Uganda, Moçambique, Nigéria e Etiópia — foram publicados em um portal governamental em março, mas foram posteriormente removidos. O Departamento de Estado afirmou se tratar de uma "correção processual, não encobrimento", comprometendo-se a divulgar os termos apenas quando todas as negociações estiverem concluídas.

Falta de transparência 

Especialistas alertam que a falta de transparência reforça percepções de que financiamentos tradicionalmente humanitários estão sendo utilizados como instrumento de coerção política. O grupo de vigilância governamental Public Citizen ingressou com uma ação judicial exigindo acesso aos acordos, alegando que a omissão do governo em atender solicitações via Lei de Liberdade de Informação é ilegal. 

Segundo Peter Maybarduk, diretor do grupo, a divulgação pública é fundamental para compreender a nova arquitetura da ajuda externa e aquilo que os Estados Unidos "esperam ou extraem em contrapartida".