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Dono da JBS participa de investimento milionário para reativar produção de mísseis no Brasil

A reestruturação financeira permite a retomada das operações da Avibras, a manutenção de contratos com as Forças Armadas e o avanço em projetos de mísseis.
Dono da JBS participa de investimento milionário para reativar produção de mísseis no BrasilDivulgação/Avibras

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, assinou um contrato para financiar a Avibras, em operação coordenada pelo Fundo Brasil Crédito que reuniu R$ 300 milhões com investidores privados, informou o Estadão na terça-feira (7).

A empresa, em recuperação judicial desde 2022, prepara a retomada das atividades nas próximas semanas, conforme apurou o jornal.

Reestruturação e aporte privado

O fundo, principal credor da companhia, liderou o plano de reestruturação aprovado pela Justiça e pelos credores. A operação inclui participação de investidores como Raul Ortuzar e Thiago Osório.

A capitalização atende a uma demanda do Ministério da Defesa, que buscava garantir a continuidade da empresa considerada estratégica. A solução também evita a venda para grupos estrangeiros, após manifestações de interesse entre 2024 e 2025.

O plano previa mais R$ 300 milhões em recursos públicos via Finep, BNDES ou PAC, mas a gestão decidiu retomar a produção já em maio sem depender desses valores.

Retomada da produção

A fábrica deve ampliar o quadro de 80 para 200 funcionários no curto prazo, com projeção de até 1 mil trabalhadores conforme novos contratos.

A empresa reativou setores como compras e recursos humanos e mantém sua estrutura industrial e ativos tecnológicos preservados.

Projetos militares em andamento

Entre os projetos em andamento, está o Míssil Tático de Cruzeiro, desenvolvido com o Exército e com 90% de execução concluída. A próxima etapa envolve a campanha de tiro.

A companhia também participa do desenvolvimento do míssil balístico S+100, com potencial de exportação e integração com outros sistemas.

A empresa mantém contratos com o Exército e a Força Aérea e responde pelo sistema Astros, utilizado no Brasil e exportado para países como Indonésia e Malásia. Há ainda previsão de adaptação do MTC-300 para lançamento por aeronaves e possível uso naval.

Recuperação judicial e dívidas

A recuperação judicial começou em março de 2022, com dívidas de R$ 394 milhões. Em 2024, o fundo adquiriu crédito de R$ 93 milhões e assumiu protagonismo na reestruturação.

Um novo CNPJ foi criado e capitalizado com R$ 2,5 bilhões em dezembro de 2025.

A empresa firmou acordo trabalhista para quitar R$ 230 milhões em dívidas com 1,4 mil ex-funcionários em até quatro anos. O processo incluiu o fim de uma greve de 1.280 dias, encerrada em março.