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Normalização do abastecimento aéreo não será imediata — Reuters

"Há capacidade de refino disponível assim que conseguirmos que o petróleo volte a fluir", afirmou o diretor da Associação de Transporte Aéreo Internacional.
Normalização do abastecimento aéreo não será imediata — ReutersPhoto credit should read CFOTO/Future Publishing via Getty Images / Gettyimages.ru

O abastecimento de combustível para aviões pode levar meses para se recuperar, mesmo após a reabertura do estreito de Ormuz, disse nesta quarta-feira (8) William Walsh, diretor geral da Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), em entrevista à Reuters.

"Se o estreito reabrisse e permanecesse aberto, ainda assim levaria vários meses para voltar ao nível de fornecimento necessário, considerando o impacto sobre a capacidade de refino no Oriente Médio, que é crucial não apenas para o combustível de aviação, mas para outros produtos refinados no mundo todo", explicou Walsh.

O conflito no Oriente Médio, que teve um cessar-fogo de duas semanas anunciada nas primeiras horas desta quarta (8), pressionou o abastecimento de combustível para aviões e obrigou companhias aéreas de toda a Ásia a reduzir voos, carregar mais combustível nos aeroportos de origem e incluir escalas extras para reabastecimento. Tudo isso piora a situação de um setor que já vinha sofrendo com a duplicação do preço do querosene, segundo o veículo.

Walsh acrescentou que, mesmo se os preços do petróleo caírem, o combustível de aviação deve continuar um pouco caro devido ao impacto nas refinarias.

Se o fluxo de petróleo se normalizar, China e Coreia do Sul poderão retomar a exportação de produtos refinados, disse ele.

"Então, há capacidade de refino disponível assim que o petróleo voltar a fluir, mas vai levar algum tempo. Com a margem de refino tão alta, isso também incentiva as refinarias a aumentarem a produção de combustível de aviação", concluiu Walsh.

Paz no Oriente Médio

Na noite de terça-feira (7), Trump anunciou que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios e ataques contra o Irã, mas condicionou a medida à aceitação, por parte da República Islâmica, da "abertura completa, imediata e segura" do Estreito de Ormuz.

Segundo publicação do presidente na plataforma Truth Social, a decisão foi tomada após conversas com líderes do Paquistão. Trump afirmou que os Estados Unidos já "cumpriram e superaram todos os seus objetivos militares" e que as partes estão "muito avançadas" na elaboração de um acordo definitivo para alcançar uma "paz de longo prazo" com o Irã e garantir "paz no Oriente Médio".

De acordo com Teerã, Washington teria aceitado um plano iraniano de dez pontos. Pelo documento, os Estados Unidos se comprometeriam, entre outras medidas, a não voltar a atacar a República Islâmica, respeitar o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e aceitar o enriquecimento de urânio pelo país.

Ainda segundo autoridades iranianas, seguindo recomendações do novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, foi decidido realizar negociações com os Estados Unidos em Islamabad para finalizar os detalhes do acordo. A expectativa é que, em até 15 dias, "após a vitória do Irã no campo de batalha, ela possa ser consolidada também nas negociações políticas".