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Netanyahu reage ao cessar-fogo com o Irã anunciado por Trump

Gabinete do primeiro-ministro afirma que a trégua de duas semanas não inclui o Líbano.
Netanyahu reage ao cessar-fogo com o Irã anunciado por TrumpJoe Raedle / Staff / Gettyimages.ru

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (8) que apoia a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender por duas semanas os ataques contra o Irã dentro do acordo de cessar-fogo anunciado.

"Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, com a condição de que o Irã abra imediatamente o estreito e interrompa todos os ataques contra os Estados Unidos, Israel e os países da região", diz o comunicado divulgado por seu gabinete.

A nota acrescenta que "Israel também apoia os esforços dos Estados Unidos para garantir que o Irã deixe de representar uma ameaça nuclear e de mísseis".

"Os Estados Unidos comunicaram a Israel seu compromisso de alcançar esses objetivos, compartilhados por Estados Unidos, Israel e seus aliados regionais, nas próximas negociações", afirma o texto. O gabinete do primeiro-ministro também destacou que o cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira (7) que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios e ataques contra o Irã, condicionando a medida à aceitação, por parte da República Islâmica, da "abertura completa, imediata e segura" do estreito de Ormuz.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Segundo publicação feita por ele na rede Truth Social, a decisão foi tomada após conversas com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, que teriam solicitado que ele interrompesse a "força destrutiva" que, segundo afirmou, estava prevista para ser usada "esta noite" contra o Irã.

O presidente afirmou que a decisão foi tomada porque os Estados Unidos já "cumpriram e superaram todos os seus objetivos militares" e que as partes estão "muito avançadas" na elaboração de um acordo definitivo sobre "paz de longo prazo" com o Irã e "paz no Oriente Médio".

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também confirmou o cessar-fogo. Após demonstrar sua "grande satisfação" com o que classificou como um "gesto sensato" e expressar seu "mais profundo agradecimento aos líderes de ambos os países", Sharif convidou as delegações para Islamabad no dia 10 de abril, "para continuar negociando um acordo definitivo que resolva todas as disputas".

O Conselho Nacional de Segurança do Irã, por sua vez, afirmou que, ao aceitar as condições de negociação propostas por Teerã, Washington e Tel Aviv sofreram "uma derrota inegável, histórica e esmagadora". Segundo o órgão, os Estados Unidos "foram obrigados a aceitar a proposta de 10 pontos do Irã", que inclui, entre outros pontos, "um compromisso fundamental de não agressão, o controle contínuo iraniano do estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio, o fim de todas as sanções primárias e secundárias e o encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores".

  • Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma agressão conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.

  • Como retaliação, Teerã lançou dezenas de ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e contra bases americanas em países do Oriente Médio.

  • Além disso, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, elevando os preços dos combustíveis.

  • O ultimato de Trump para que o Irã aceitasse um acordo se encerraria nesta terça-feira (7), às 21h (horário de Brasília). Caso contrário, o presidente havia prometido fazer com que "uma civilização inteira" desaparecesse.

  • Por sua vez, autoridades do Irã, não intimidada pelas ameaças, declararam, a poucas horas das 21h, que o país está preparado "para todos os cenários" e ameaçaram privar os Estados Unidos e seus aliados de petróleo e gás por anos.