
Irã permitirá passagem segura pelo Estreito de Ormuz por duas semanas

As Forças Armadas do Irã "cessarão suas operações defensivas" no Estreito de Ormuz caso os ataques contra o país sejam interrompidos, informou, nesta terça-feira (7), o Conselho Nacional de Segurança do Irã e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

No texto da declaração, Araghchi agradeceu ao primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e ao chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, por seus esforços "para pôr fim à guerra na região".
O chanceler iraniano afirmou que sua declaração responde ao pedido do primeiro-ministro, e mencionou uma solicitação dos Estados Unidos para negociar com base em uma proposta de 15 pontos, bem como um anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre o marco geral da proposta iraniana, de 10 pontos, como base para as conversas entre as partes.
"Declaro, por meio desta, em nome do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã: se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas Forças Armadas cessarão suas operações defensivas", afirmou Abbas Araghchi.
"Durante um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e considerando devidamente as limitações técnicas", esclareceu.
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O anúncio ocorre pouco depois de o presidente dos EUA divulgar que concordou em suspender por duas semanas os bombardeios contra o Irã, condicionando a medida à aceitação, por parte da República Islâmica, da "abertura completa, imediata e segura" do Estreito de Ormuz.
Em seu comentário, ele indicou que Washington recebeu uma proposta de 10, considerada "uma base viável" para negociações.
Diante disso, o Conselho Nacional de Segurança do Irã afirmou que, ao aceitar as condições propostas por Teerã para um cessar-fogo de duas semanas, Washington e Tel Aviv sofreram "uma derrota inegável, histórica e esmagadora", e destacou que os EUA "foram obrigados a aceitar a proposta".
Na madrugada de sábado (28), Israel e os EUA iniciaram uma agressão conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Como retaliação, Teerã lançou dezenas de ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e contra bases americanas em países do Oriente Médio.
Além disso, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, elevando os preços dos combustíveis.
O ultimato de Trump para que o Irã aceitasse um acordo se encerraria nesta terça-feira (7), às 21h (horário de Brasília). Caso contrário, o presidente havia prometido fazer com que "uma civilização inteira" desaparecesse.
Por sua vez, autoridades do Irã, não intimidada pelas ameaças, declararam, a poucas horas das 21h, que o país está preparado "para todos os cenários" e ameaçaram privar os Estados Unidos e seus aliados de petróleo e gás por anos.

