
Irã na ONU: 'Rejeitamos categoricamente um cessar-fogo temporário'

O Irã rejeitou, nesta terça-feira (7), perante a Organização das Nações Unidas (ONU) um "cessar-fogo temporário" no conflito no Oriente Médio, que teve início em 28 de fevereiro, após EUA e Israel atacarem a nação persa.
"Rejeitamos categoricamente um cessar-fogo temporário", disse Mir-Saeid Iravani, representante de Teerã perante o Conselho de Segurança da ONU, em uma reunião na qual a crise era avaliada.

Ele explicou que sua decisão se deve ao que aconteceu entre 13 e 24 de junho do ano passado, quando Washington e Tel Aviv também atacaram o território iraniano e "as hostilidades foram retomadas sob um pretexto falso".
"Neste contexto, um cessar-fogo apenas serviria para se rearmarem e se prepararem para continuar cometendo crimes", acrescentou o representante iraniano.
Resposta a Trump
Durante sua intervenção, Iravani classificou como "retórica imprópria para qualquer líder político" as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais ameaçou fazer desaparecer "uma civilização inteira", referindo-se aos ataques ao país persa.
"(Trump) Recorreu a uma linguagem não apenas profundamente irresponsável, mas também extremamente alarmante. Declarou que toda a civilização morrerá esta noite, para não voltar jamais. Tal retórica é imprópria para qualquer líder político e, ainda mais, do chefe de um (Estado que é) membro permanente do Conselho encarregado da manutenção da paz e da segurança internacionais”, afirmou Iravani.
Guerra no Oriente Médio
- Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.
