
Rússia explica à ONU por que vetou o projeto de resolução sobre o Estreito de Ormuz

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, explicou, nesta terça-feira (7), durante uma reunião do Conselho de Segurança o veto do país ao projeto de resolução sobre o Estreito de Ormuz. Segundo ele, o documento estabeleceria um precedente perigoso.
"A Federação da Rússia não pôde apoiar um texto que abriria um precedente perigoso para o direito internacional, para o direito internacional marítimo, para qualquer iniciativa internacional em prol da paz, bem como para a autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas", destacou o alto diplomata russo.
Além disso, Nebenzia afirmou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez diversos apelos "equitativos", pedindo que os Estados Unidos e Israel encerrem a guerra e que o Irã cesse os ataques contra seus vizinhos.
Para Moscou, a raiz da crise no Oriente Médio está nos "atos ilegais e imprudentes" de Washington e Tel Aviv. "Atacar o Irã não é possível e não é aceitável", afirmou, ao acrescentar que esses apelos "entraram por um ouvido e saíram pelo outro".

Em seu discurso, o alto diplomata também ressaltou que a Rússia entende a situação dos países do Conselho de Cooperação do Golfo e da Jordânia, e explicou que por esse motivo se absteve na votação de uma resolução anterior, a 28.17.
"Não foi uma decisão fácil para nós", assinalou. Sobre o texto debatido agora, Nebenzia afirmou que o Bahrein e seus parceiros "foram muito mais longe" ao apresentar o que descreveu como uma abordagem "fundamentalmente errônea e perigosa". "Quase cada parágrafo da minuta que propuseram estava farto de elementos desequilibrados, inexatos e de confronto", sustentou.
Ele acrescentou que a resolução impulsionada pelo Bahrein "dava carta branca" a ações agressivas contra o Irã.
- O Conselho de Segurança da ONU não adotou o projeto de resolução sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. China e Rússia vetaram o documento.
