O Conselho de Segurança da ONU negou nesta terça-feira (7) um projeto de resolução sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
China e Rússia, membros permanentes do Conselho, vetaram o documento. A votação registrou 11 votos favoráveis e apenas os vetos como votos contrários, com abstenções do Paquistão e da Colômbia. O resultado ocorre horas antes do prazo do ultimato apresentado pelo presidente Donald Trump para que o Irã desbloqueie a passagem marítima ou enfrente bombardeios contra sua infraestrutura civil e energética.
A proposta original do Golfo Pérsico, apresentada pelo Bahrein, autorizaria países a utilizarem "todos os meios necessários" para garantir o trânsito pelo estreito e dissuadir tentativas de fechamento. O documento foi então modificado posteriormente por oposição dos representantes da Rússia, China e França, que censuraram o escopo dos meios autorizados pela resolução, que abrangia medidas militares.
O texto vetado nesta terça "encorajava enfaticamente" os Estados interessados nas rotas comerciais marítimas do estreito a coordenarem esforços proporcionais de natureza defensiva para garantir a segurança da navegação, o que incluiria a escolta de embarcações mercantis e comerciais, além da coibição de tentativas de fechar, obstruir ou interferir na navegação internacional.
A resolução também exigia que o Irã interrompesse imediatamente os ataques contra navios mercantes, cessasse o impedimento à liberdade de navegação e paralisasse as investidas contra infraestrutura civil.
O embaixador estadunidense Mike Waltz acusou Rússia e China de tolerarem que o Irã mantenha a economia global como refém; já os representantes russo Vassily Nebenzia e chinês Fu Cong responsabilizaram os Estados Unidos e Israel pelo início da guerra, defendendo que a prioridade urgente deveria ser cessar imediatamente as operações militares americano-israelenses.
Trump faz ameaças ao Irã
- No domingo (5), Trump deu um ultimato ao Irã, estabelecendo uma data específica para que o país chegasse a um acordo sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. "Terça-feira, 20h, horário do leste!", disse ele.
- Essa retórica agressiva de Trump veio um dia após seu ultimato de 48 horas contra o país, posteriormente adiado, para que o país chegasse a um acordo ou reabrisse a importante via marítima. Ele também advertiu que o não cumprimento do ultimato desencadearia "o inferno" sobre o Irã.
- O governo iraniano, por sua vez, promete que o Estreito de Ormuz jamais será o que era, especialmente para americanos e israelenses. As autoridades iranianas também afirmaram que estão preparando uma "nova ordem" no Golfo Pérsico. Além disso, o Irã reiterou diversas vezes que não abandonará seu programa nuclear pacífico.