
Trump pode adiar ultimato ao Irã sob esta condição — Axios

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia adiar um ataque à infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas elétricas, marcado por ele mesmo até a noite de terça-feira (7), caso perceba sinais concretos de um acordo em andamento, informou nesta terça-feira (7) o Axios, citando fontes próximas à administração.

"Caso o presidente veja sinais de um acordo, provavelmente não agirá por enquanto. Mas essa decisão é dele e de mais ninguém", afirmou um alto funcionário do governo.
Na mesma linha, assessores de Trump disseram aos mediadores que o republicano precisa enxergar sinais positivos dos iranianos para considerar uma prorrogação. "Estamos mergulhados nas negociações, qualquer coisa pode acontecer", comentou um deles.
Segundo duas fontes do Axios, já está pronto um plano para uma campanha de bombardeios massivos dos EUA e de Israel contra instalações energéticas do Irã, caso Trump dê a ordem.
"Trump aceitaria um acordo se ele vier, mas não está claro se os iranianos estão prontos. A tensão será extremamente alta até terça-feira às 20h [horário da Costa Leste dos EUA]", detalhou uma fonte próxima ao presidente.
Por sua vez, um funcionário do Departamento de Guerra afirmou que estão "céticos" quanto a um novo adiamento.
"Como um cachorro raivoso"
Outro informante descreveu Trump como a figura mais beligerante em relação ao Irã dentro de seu governo.
"O presidente é o mais sanguinário, como um cachorro raivoso", disse a fonte, minimizando rumores de que o secretário de Guerra, Pete Hegseth, ou o secretário de Estado, Marco Rubio, estariam pressionando-o para agir. "Comparados ao presidente, esses caras são praticamente inofensivos", acrescentou.
Enquanto isso, Teerã entregou uma resposta de 10 pontos às atuais propostas de paz.
Um integrante da gestão americana classificou o documento como "maximalista", mas a Casa Branca o interpretou como uma manobra de negociação, e não um veto ao acordo.
Durante coletiva na segunda-feira (6), Trump sugeriu que o ritmo lento das deliberações iranianas estava atrasando as negociações. "Estamos nos comunicando como se fosse há 2 mil anos, com recados passando de mão em mão. Eles simplesmente não conseguem se organizar.", afirmou.
Uma fonte explicou que Trump se referia à forma como o líder supremo Mojtaba Khamenei vinha se comunicando com o mundo exterior e transmitindo ordens a seus subordinados.
Guerra no Oriente Médio
- Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.

