Representações diplomáticas do Irã por todo o mundo reagiram com memes, ironias e críticas às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. As respostas foram publicadas no X após o líder norte-americano adotar um tom agressivo em declaração no domingo (5).
Trump ameaçou atacar estruturas civis como pontes e usinas iranianas, caso o país não reabra a rota marítima. "Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito [de Ormuz], seus loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá", escreveu em publicação na rede Truth Social.
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"Respire fundo"
As embaixadas iranianas responderam ao norte-americano em tom incomum. A embaixada no Tajiquistão divulgou uma imagem fazendo referência ao suposto envolvimento de Trump com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
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O tom variou entre sarcasmo e reprovação. A embaixada na Tailândia disse que "o Irã não é para amadores", enquanto a representação em Serra Leoa aceitou de forma irônica a retórica de Trump que se assume como vencedor. "Sim senhor, você queimou e venceu! Agora se acalme".
Já a diplomacia persa em Haia, nos Países Baixos, questionou a sanidade de Trump. "Alguém já imaginou um presidente dos EUA falando assim? A liderança deve elevar uma nação, não arrastá-la para baixo. A aptidão mental deve fazer parte do trabalho?".
A embaixada na Áustria disse que o norte-americano "rebaixou-se a um nível sem precedentes de mendicância, temperada com grosseria amarga e vazia e ameaças". Já a missão iraniana na Bulgária pediu calma e aconselhou: "respire fundo".
Em outra ironia, representantes no país dos Balcãs questionaram os prazos de Trump. "21 de março: 48 horas; 23 de março: Adiado por 5 dias; 26 de março: Adiado por 10 dias; 4 de abril: 48 horas; 5 de abril: Adiado para 7 de abril, às 8h00."
A representação iraniana na África do Sul ironizou a vontade de Trump de ser laureado com um Nobel da Paz. "Donald Trump, frustrado por não ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz, agora parece estar em busca de um 'Prêmio Nobel' pela sua selvageria."
Guerra no Oriente Médio
- Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.