O Ministério de Relações Exteriores da Rússia emitiu, nesta segunda-feira (6), um comunicado sobre as agressões de Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O governo russo destaca sua preocupação com os ataques à usina nuclear de Bushehr e que eles deixam o Golfo Pérsico à "sombra de uma catástrofe radiológica, mais devastadora que a de Chernobyl".
"A crise internacional de larga escala, causada pela agressão ilegal e não provocada dos norte-americanos e de Israel contra o Irã, continua a se expandir e a se agravar a cada dia", alerta a chancelaria russa no texto, apontando para os crescentes ataques contra infraestrutrura civil e usinas nucleares.
"Preocupação especial é gerada pelos múltiplos e temerários ataques à usina nuclear de Bushehr, que resultaram em perdas humanas. A sombra de uma catástrofe radiológica, mais devastadora que a de Chernobyl, paira sobre a região do Golfo Pérsico e as áreas adjacentes da Eurásia", acrescenta a mensagem.
O documento alerta que, para além do risco de um desastre radiológico, os ataques causam impactos na segurança energética e alimentar da região.
"O confronto armado já custou a vida de milhares de pessoas inocentes, mulheres e crianças, e trouxe sofrimento à população civil. Escolas, hospitais e locais do patrimônio cultural mundial estão sendo destruídos", afirmou o comunicado, destacando ainda que "missões diplomáticas e consulares estão sob fogo, o que contraria os postulados básicos das relações internacionais" e da lei internacional.
Apoio à saída negociada
O documento expressa apoio a iniciativas de mediação de países como China, Paquistão e Turquia. O governo russo menciona o pedido do secretário-geral da ONU pela interrupção das hostilidades e pelo fim das retaliações militares entre as partes.
É "extremamente importante não permitir que se minem as chances remanescentes de negociações para a busca de uma solução político-diplomática" e que ela "seja plenamente levada em conta no trabalho do Conselho de Segurança da ONU", lembrou Moscou.
"A Federação da Rússia, juntamente com seus parceiros internacionais, está pronta para fazer todo o possível" para "impedir que o Oriente Médio caia no abismo de uma guerra total, com consequências trágicas de longo prazo para o mundo inteiro", conclui o comunicado.