
Do café à soja: impactos do conflito no Oriente Médio atingem o agro

O aumento dos custos de energia e fertilizantes, após o fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou parte das commodities agrícolas no primeiro trimestre, enquanto café e cacau recuaram com ajuste de oferta e demanda, noticiou a Bloomberg no domingo (5).
O encarecimento do petróleo elevou custos ao longo da cadeia — da produção ao transporte — e ampliou a volatilidade. O cenário favoreceu grãos e óleos vegetais, que reagiram à expectativa de menor oferta e maior demanda por insumos ligados à energia.
« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
Grãos e óleos avançam com alta do petróleo
"O fechamento de plantas de fertilizantes e instalações de gás pode gerar impactos duradouros de primeira e segunda ordem na produtividade agrícola, especialmente em países como Brasil e Índia", disse Arkady Gevorkyan, analista do grupo financeiro Citi.
Entre os destaques, o óleo de soja subiu 43,48% entre janeiro e março, impulsionado pela relação com biocombustíveis e pela alta do petróleo. Em Chicago, o contrato futuro para maio chegou a 69,68 centavos de dólar por libra, próximo do maior nível desde 2022.

O trigo também avançou, com alta de 23,85% no tipo duro e 21,94% no tipo macio. A combinação de custos elevados, clima adverso e menor área plantada nos Estados Unidos sustentou os preços.
"Os preços do óleo de soja têm subido diante da expectativa de que a política 'Estados Unidos Primeiro', do presidente americano Trump, favoreça uma Obrigação de Volume Renovável (RVO, na sigla em inglês)", afirmou a empresa de gerenciamento de risco e consultoria AgResource Co.
O peso dos fertilizantes segue central. Esses insumos representam entre 50% e 60% do custo variável dos principais cereais, em um mercado dependente de exportações do Oriente Médio.
Cacau despenca após pico histórico
Na direção oposta, o cacau recuou 45,59% após atingir níveis elevados nos anos anteriores. O preço atual gira em torno de US$3.100 por tonelada, abaixo dos cerca de US$8.800 registrados um ano antes.
"O colapso dos preços reflete dinâmicas clássicas de commodities: destruição de demanda, substituição e melhora nas expectativas de oferta", disse Ole Hansen, do Saxo Bank.
A queda ocorre em meio a sinais de superávit global. O Marex projeta excedente de 400 mil toneladas na temporada, com estoques acumulados na África Ocidental e retração da moagem na Europa.
Café recua com melhora da oferta global
O café também caiu 14,45% no início de 2026, pressionado por melhora na produção e recomposição de estoques. A projeção é de safra global de cerca de 180 milhões de sacas em 2026/27, com avanço puxado pelo Brasil.
"O mercado segue um caminho irregular rumo a preços mais baixos", apontou o Rabobank.
No período, o setor agrícola mostrou movimentos distintos: grãos e óleos reagiram a custos e riscos de oferta, enquanto produtos ligados ao consumo perderam força com a normalização do mercado.

