Criança de 3 anos presa sob custódia federal nos EUA relata abuso sexual em abrigo

A menina ficou cerca de cinco meses separada dos pais enquanto aguardava liberação judicial.

Uma criança de 3 anos relatou ter sofrido abuso sexual durante meses em um lar adotivo nos Estados Unidos enquanto estava sob custódia federal, informou a mídia americana nesta segunda-feira (6).

A menina foi separada da mãe após cruzar a fronteira com o México e encaminhada a um programa de acolhimento.

O pai, residente legal no país, aguardou cerca de cinco meses pela liberação da filha.

Durante esse período, segundo documentos judiciais, a criança afirmou ter sido abusada por uma criança mais velha no mesmo abrigo, no Texas. Um cuidador notou sinais incomuns, como roupa íntima invertida e a menina relatou episódios repetidos, com sangramento.

"Ela ficou lá por tanto tempo", disse o pai. "Eu só penso que, se tivessem agido mais rápido, nada disso teria acontecido."

Autoridades informaram inicialmente ao pai que havia ocorrido um "acidente" e que a criança passaria por exames. Ele afirmou que não recebeu detalhes do caso.

"Eu perguntei a eles: 'O que aconteceu? Eu quero saber. Sou o pai dela. Quero saber o que está acontecendo', e eles apenas disseram que não podiam me dar mais informações, que estava sob investigação', disse.

A criança passou por exame pericial e entrevista. Segundo o processo, o menor apontado como responsável foi retirado do programa de acolhimento.

"É inimaginável"

A advogada da família afirmou que o caso foi comunicado às autoridades locais. "Ter seu filho abusado enquanto está sob cuidados do governo, não entender o que aconteceu ou como protegê-lo, nem sequer ser informado sobre o abuso, é inimaginável", disse Lauren Fisher Flores. "Crianças merecem segurança e devem estar com seus pais."

Dados apresentados no processo indicam que o tempo médio de permanência de crianças sob custódia federal subiu de 37 dias para quase 200 entre janeiro de 2025 e fevereiro deste ano.

Após sucessivos atrasos, a liberação ocorreu dois dias depois de um pedido judicial de habeas corpus apresentado pela defesa.

Pai e filha vivem atualmente com familiares em Chicago, enquanto o caso segue na Justiça.