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Irã matou o sonho americano de uma guerra otimizada por IA — NYT

O número e a dispersão de drones iranianos excedem o que a inteligência artificial consegue neutralizar sozinha.
Irã matou o sonho americano de uma guerra otimizada por IA — NYTGettyimages.ru / onurdongel

As expectativas dos Estados Unidos de travar uma guerra sob controle remoto contra o Irã com apoio da inteligência artificial (IA) não se concretizaram, apesar dos avanços tecnológicos no âmbito militar, apontaram no domingo (5) os colunistas Marc Gustafson e Justin Kosslyn, do jornal americano The New York Times.

Os autores afirmam que o uso da inteligência artificial permitiu melhorar a precisão e a velocidade dos ataques ao facilitar a identificação de alvos em tempo real por meio de dados de drones, satélites e interceptações, além de reduzir o tempo de tomada de decisão de horas ou dias para segundos.

Contudo, o ex-funcionário da inteligência americana afirma que, apesar dessas capacidades, a extensão do território iraniano, a dispersão dos drones e a mobilidade dos mísseis de curto alcance limitam a eficácia da estratégia.

Segundo o artigo, o planejamento de Washington sempre partiu do pressuposto de que um conflito com o Irã seria difícil devido à sua extensa e montanhosa geografia, bem como à dispersão de sua infraestrutura militar, o que implicaria no uso de forças terrestres e possíveis baixas americanas. Novos avanços tecnológicos cultivaram a expectativa de que combates terrestres seriam dispensáveis, mas a facilidade de iniciar ataques com o auxílio da IA não se converteu na facilidade de finalizar o conflito.

Gustafson indica que a quantidade e a dispersão dos drones iranianos ultrapassam o que a inteligência artificial é capaz de neutralizar sozinha e que os mísseis de curto alcance, sobretudo se estiverem em plataformas móveis, podem escapar mesmo sob vigilância constante.

Da mesma forma, o tamanho do país — maior do que o da França, Alemanha, Reino Unido e Itália juntos — e a facilidade de ocultar drones, inclusive com lançamentos a partir de caminhonetes, dificultam sua detecção.