O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que, se os EUA abandonassem a "linguagem dos ultimatos", isso facilitaria a reduzir a tensão do conflito com o Irã. A declaração foi dada neste domingo (5) durante uma conversa por telefone com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi.
"A parte russa manifestou sua esperança no sucesso dos esforços empreendidos por vários países para reduzir as tensões em torno do Irã, com vistas a uma normalização sustentável e de longo prazo da situação no Oriente Médio, o que seria facilitado pelo abandono, por parte dos Estados Unidos, do tom de ultimatos e pelo retorno à via da negociação", afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Os dois ministros destacaram "a necessidade de interromper imediatamente os ataques imprudentes e ilegais contra a infraestrutura civil, industrial e energética", incluindo os ataques contra a usina nuclear de Bushehr, que está sob as salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e já foi alvo de vários ataques por parte dos EUA e de Israel. Lavrov e Araghchi afirmaram que "é inaceitável criar ameaças à vida e à saúde de funcionários e o risco de um desastre nuclear para toda a região".
Além disso, ambas as partes pedem que sejam evitadas ações que possam prejudicar as possibilidades de "avançar nos esforços políticos e diplomáticos para resolver a crise" no Oriente Médio.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.
O Irã também bloqueou quase completamente o estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo, o que elevou os preços dos combustíveis.