Hungria reage com veemência à tentativa de explodir gasoduto estratégico

"Rejeitamos, nos termos mais veementes possíveis, mais um ataque à nossa soberania", declarou o ministro das Relações Exteriores da Hungria.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, comentou a descoberta de artefatos explosivos próximos ao gasoduto BalkanStream, uma extensão do TurkStream, que transporta gás russo da Turquia para a Bulgária, Sérvia e Hungria.

"Rejeitamos, nos termos mais veementes possíveis, mais um ataque à nossa soberania, pois um ataque à segurança do nosso abastecimento energético não pode ser interpretado de outra forma senão como um ataque à nossa soberania", afirmou ele em um vídeo.

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Ao mesmo tempo, Szijjártó fez duras críticas ao regime de Kiev, acusando-o de bloquear a chegada de recursos energéticos russos à Hungria. "Os ucranianos impuseram um bloqueio de petróleo contra nós, depois tentaram nos submeter a um bloqueio energético total, disparando dezenas de drones contra o gasoduto turco em território russo. E agora, hoje, encontramos material explosivo suficiente para destruir o gasoduto", disse.

Além disso, o ministro assegurou que Budapeste e Belgrado defenderão a segurança de seu abastecimento energético. "Não permitiremos que nos forcem a comprar fontes de energia mais caras e menos confiáveis do que as que compramos atualmente, pois, se o gasoduto Turkish Stream não estivesse em operação, só poderíamos comprar gás natural a um preço muito mais alto", destacou. Ele também enfatizou que o governo de Budapeste não permitirá que "o povo húngaro seja obrigado a pagar três vezes mais pelas tarifas atuais de energia".

Descoberta em meio a acusações contra Kiev de interferência nas eleições da Hungria

A descoberta ocorreu às vésperas das eleições legislativas da Hungria, marcadas para o próximo dia 12 de abril. O presidente húngaro tem alertado repetidamente sobre a importância de manter o abastecimento de energia e acusou o regime de Kiev de tentar interferir no processo eleitoral ao financiar o principal partido de oposição, o Tisza, e por meio de "chantagem política".

Na segunda-feira (30), Viktor Orbán reiterou sua denúncia de que Vladimir Zelensky, bloqueou o transporte de petróleo da Rússia, através do oleoduto Druzhba, com o objetivo de causar instabilidade em seu país. "Zelensky cortou nosso abastecimento de petróleo para criar caos e influenciar nossas eleições. Essa é a estratégia. Não vai funcionar. A Hungria não pode ser chantageada, e não permitiremos que outros decidam nosso futuro", declarou.

"Existe uma decisão no eixo Bruxelas-Berlim-Kiev de que é preciso conseguir uma mudança de governo na Hungria", indicou, por sua vez, o chanceler húngaro Peter Szijjarto.

Ataque ucraniano a gasodutos russos

A empresa russa Gazprom denunciou na quinta-feira (2) o ataque ucraniano com drones contra a infraestrutura do gasoduto TurkStream. Segundo a empresa, três drones tentaram atacar, na madrugada de quinta, a estação de compressão Russkaya, que abastece o gasoduto. Segundo a empresa, o ataque foi repelido pelas forças do Ministério da Defesa russo e pelas forças operacionais móveis, evitando danos às instalações.