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Irã retira limitações ao Estreito de Ormuz para país aliado

Comando militar indica que restrições em rota estratégica no Golfo seguem direcionadas a países hostis e cita cenário regional.
Irã retira limitações ao Estreito de Ormuz para país aliadoGettyimages.ru

O Irã anunciou neste sábado (4) que o Iraque estará isento de qualquer restrição relacionada ao tráfego no estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de energia.

A decisão foi comunicada pela cúpula militar do quartel-general iraniano Khatam al-Anbiya, segundo relatos da imprensa. De acordo com o porta-voz militar, a medida exclui Bagdá das limitações recentemente impostas por Teerã.

"O irmão Iraque está isento de qualquer restrição que tenhamos imposto no estreito de Ormuz, já que essas restrições se aplicam apenas a países hostis", afirmou.

O representante também ressaltou que a República Islâmica "respeita ao máximo a soberania iraquiana", ao destacar a relação entre os dois países.

Além do anúncio, o porta-voz indicou que o atual cenário pode abrir espaço para mudanças no território iraquiano. Segundo ele, os acontecimentos recentes representam uma "oportunidade histórica para pôr fim à presença dos Estados Unidos imposta em seu território" e alcançar uma "segurança sustentável".

O Iraque estava entre os países mais afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Sua produção de petróleo sofreu uma queda drástica, despencando de 3,5 milhões para 1,3 milhão de barris por dia, enquanto suas exportações caíram para meros 800 mil barris por dia.

O estreito de Ormuz é considerado um ponto central para o comércio global de petróleo, ligando o Golfo Pérsico ao oceano aberto. 

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
  • Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.