
O que aconteceria se o Irã capturasse o piloto americano abatido e como isso mudaria a guerra

Um dos dois tripulantes do caça americano abatido na sexta-feira (3) no território do Irã continua desaparecido, e as buscas prosseguem tanto pelos EUA quanto pelas autoridades da República Islâmica. Se o piloto for capturado pelos iranianos, a guerra poderia entrar em uma nova fase, pois o impacto deste acontecimento não se limitaria apenas à esfera militar, como também se estenderiam à diplomacia, à política interna dos EUA e à estratégia de guerra no futuro.

O que diz o direito internacional?
De acordo com a Convenção de Genebra, que rege as regras dos conflitos armados, um piloto capturado é classificado como prisioneiro de guerra. Isso impõe certas obrigações ao Irã, como a exigência de que o piloto seja tratado com humanidade e não seja submetido a violência, intimidação, insultos ou exposição à curiosidade pública. Tortura e coerção física ou mental são proibidas. Além disso, o Irã teria que prover-lhe cuidados médicos e alimentação.
Cenários de Guerra
Contudo, mesmo que as regras sejam bem definidas, a prática em tempos de guerra costuma ser mais complexa. Mesmo dentro dos limites legais, é esperado que haja tentativas de obter informações do detido e usá-lo como moeda de troca durante as negociações. O destino do piloto poderia levar a diferentes cenários de conflito.
Um deles é que o Irã capture o piloto e torne o fato público, o que provocaria uma reação imediata do público e da mídia. Isso, por sua vez, pressionaria o governo Trump a agir e libertar o piloto, seja militarmente, por meio de uma operação terrestre, ou por meio de negociações, de acordo com a mídia americana.
Outra possibilidade é que Teerã capture o piloto, mas, em vez de tornar o fato público imediatamente, inicie negociações secretas com os Estados Unidos, o que permitiria aos iranianos negociar uma posição mais vantajosa e exigisse concessões de Washington em troca da libertação. No entanto, também existe o risco de o piloto morrer, seja antes de ser capturado ou já sob custódia das autoridades iranianas. Em ambos os casos, isso poderia provocar uma resposta agressiva dos EUA e agravar ainda mais o conflito.
Também é possível que o piloto seja resgatado pelas forças americanas, o que permitiria a Trump continuar sua estratégia de bombardeios e tentativas de negociação com Teerã.
Caça abatido
Os EUA não divulgaram detalhes oficiais sobre o incidente. A mídia iraniana noticiou o abate de um F-35, mas autoridades americanas disseram à mídia local, sob condição de anonimato, que se tratava de um F-15E.
Durante as operações de busca e resgate do caça, dois helicópteros militares UH-60 americanos foram atingidos por fogo iraniano, segundo fontes da NBC News. Apesar do ataque, todos os tripulantes estão a salvo, embora alguns tenham sofrido ferimentos leves.
Resposta evasiva de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, se recusou a dar uma resposta clara sobre qual seria a retaliação de seu país contra o Irã caso o piloto desaparecido em território iraniano seja encontrado ferido, segundo reportagem do The Independent.
Em uma breve entrevista por telefone na sexta-feira para o jornal, o presidente disse que não poderia comentar sobre qual seria o curso de ação caso as forças iranianas encontrassem o piloto. Questionado sobre o que aconteceria se o piloto estivesse ferido, Trump respondeu: "Esperamos que isso não aconteça".

