Pela primeira vez desde o início da guerra contra o Irã, alguns gerentes de postos de gasolina no sul da Flórida relataram escassez temporária de gasolina, com vários postos sem combustível ou com disponibilidade limitada, segundo informou a CBS News, na quinta-feira (2).
Gerentes de postos apontaram problemas na cadeia de abastecimento e um aumento repentino da demanda como as principais causas. "Há problemas com o abastecimento de petróleo e realmente não sabemos o que está acontecendo", afirmou um gerente de uma estação Westar em Coral Gables, Felix Colon, enquanto aguardavam novos carregamentos de combustível.
Os consumidores também expressaram frustração com a situação. "Acho que vou ter que procurar gasolina em outro lugar", disse um cliente, enquanto outro motorista se recusou a pagar mais pelo combustível premium: "Isso não é justo. Isso não está certo. Não vou pagar um preço mais alto".
Do setor de distribuição, Máximo Álvarez, presidente da Sunshine Gasoline Distributors em Doral, reconheceu que há interrupções no abastecimento. "Sim, tivemos algumas interrupções porque a demanda é muito alta", explicou, acrescentando que o principal problema é que a demanda aumentou e o transporte é limitado. Ele também alertou sobre o comportamento dos consumidores: "As pessoas estão comprando mais gasolina, talvez mais do que precisam. [...] Esse medo está afetando comportamento delas".
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Mark Jenkins, porta-voz da Associação Americana de Automóveis (AAA), afirmou que não há indícios de uma escassez generalizada em todo o estado. "Em muitos casos, o que provavelmente se observa neste momento é um aumento na demanda", indicou ele, recomendando aos motoristas que mantenham a calma e não entrem em pânico.
Fechado para navios inimigos
Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.