A indústria do entretenimento nos Estados Unidos registrou uma forte contração no mercado de trabalho após um pico de produção em 2022. O emprego no setor de cinema e televisão caiu cerca de 30% desde então, segundo informou o Wall Street Journal na segunda-feira (30).
Os motivos principais são: menos produções e o deslocamento de muitas gravações para fora dos EUA. Há uma relação com a procura de incentivos fiscais mais generosos em países como o Reino Unido, Canadá, Austrália e até na Hungria, onde custos de mão de obra e construção são mais baixos.
O resultado é visível em centros tradicionais de produção, como Los Angeles. A redução de locações de cinema e televisão, bem como a menor quantidade de novelas e comerciais rodados, desestimula toda cadeia de serviços que vive dos estúdios.
Diante desse cenário, o setor está pressionando o governo de Donald Trump e o Congresso por um incentivo fiscal federal de cerca de 15% para a produção audiovisual.
O argumento é que, somado aos programas estaduais — que podem chegar de 20% a 40% de reembolso sobre gastos locais —, um crédito federal dessa magnitude seria suficiente para trazer de volta parte significativa das grandes produções para os Estados Unidos.
Calendários de produção mostram que, no início da década de 2020, o número de encomendas de séries e filmes ainda estava em alta; mas, desde que os serviços de streaming passaram a priorizar lucros — após as greves de roteiristas e atores de 2023 —, os estúdios reduziram gastos em produção, o que se reflete em menos horas trabalhadas pelos profissionais por trás das câmeras.
Agora, a pergunta que se impõe é se a atual queda de trabalho é apenas um ciclo temporário ou um sinal de mudança mais profunda no setor.
Além da disputa por incentivos fiscais, o entretenimento enfrenta competição crescente de conteúdo feito por amadores no YouTube, TikTok e Instagram, e está usando cada vez mais das receitas de transmissão de esportes de alto custo, o que deixa menos dinheiro para produzir filmes e séries tradicionais.