Os Estados Unidos passaram a questionar o papel na OTAN após divergências com aliados sobre a guerra contra o Irã, segundo informou Axios nesta sexta-feira (3).
A aliança foi estruturada com base no princípio de defesa coletiva, que prevê resposta conjunta em caso de ataque a um dos integrantes. No entanto, declarações recentes indicam que o apoio dos EUA pode depender de alinhamento político e militar em conflitos específicos.
A tensão aumentou após países europeus recusarem apoio logístico para operações militares, como uso de bases e espaço aéreo.
O presidente Donald Trump insultou aliados históricos e os chamou de "covardes", cobrando participação na reabertura do Estreito de Ormuz.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo pode "ter que reexaminar o valor da OTAN". Trump também mencionou a possibilidade de retirada dos Estados Unidos da aliança.
Os líderes europeus, por outro lado, argumentam que a ação militar foi iniciada sem consulta prévia ou respaldo legal internacional. O episódio amplia divergências e pressiona o bloco a discutir alternativas de segurança sem dependência dos EUA.
Cenário e consequências
A crise ocorre meses após Trump ameaçar assumir o controle da Groenlândia, território da Dinamarca, e impor tarifas a aliados. Episódios semelhantes já haviam provocado instabilidade na relação entre os países.
Especialistas apontam que, mesmo com aumento de gastos militares, a Europa levaria anos para estruturar uma defesa independente. Estimativas indicam prazo de até uma década para substituir plenamente o suporte americano.
Apesar das declarações sobre possível saída dos EUA, uma lei aprovada em 2023 estabelece que o presidente não pode deixar a OTAN sem aprovação do Congresso.
Ainda assim, analistas avaliam que o compromisso com a cláusula de defesa coletiva já foi enfraquecido e que a crise atual pode representar um risco de morte para a aliança.