
ONU alerta: Guerra no Oriente Médio pode pressionar suprimento global de alimentos

Os preços mundiais dos alimentos subiram em março pelo segundo mês consecutivo, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os custos da energia, alertou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) nesta sexta-feira (3).
O Índice de Preços de Alimentos da agência, que mede uma cesta de commodities, subiu 2,4% em relação a fevereiro. O índice de preços de óleos vegetais foi o que mais pressionou a alta geral, com um salto de 5,1% — a terceira alta mensal consecutiva.

O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, destacou que se a guerra se prolongar por mais de 40 dias e os custos de insumos, como fertilizantes, permanecerem elevados, os agricultores poderão ser forçados a plantar menos ou a optar por culturas menos dependentes de adubos.
"Essas escolhas vão impactar as colheitas futuras e moldar nosso suprimento de alimentos e os preços das commodities pelo resto deste ano e por todo o próximo", afirmou Torero.
A FAO também apontou aumento no Índice de Preços do Açúcar, que subiu 7,2% em março. Segundo a organização, expectativas de maior uso de cana-de-açúcar pelo Brasil para produção de etanol, em resposta aos preços mais altos do petróleo, "superaram as perspectivas globais de oferta". A carne subiu 1%, puxada principalmente pela carne suína na União Europeia e pela bovina no Brasil.
Ao mesmo tempo, a FAO revisou levemente para cima sua previsão de produção global de cereais em 2025, estimando uma safra recorde de 3,036 bilhões de toneladas, deixando o cenário global incerto.
