A União Europeia avalia "todas as possibilidades" para lidar com a alta nos preços de energia e se prepara para um choque energético "de longo prazo", afirmou o comissário energético da Comissão Europeia, Dan Jorgensen, ao Financial Times, nesta sexta-feira (3).
Jorgensen destacou que a crise será prolongada e que os preços devem permanecer elevados por muito tempo, alertando que a situação com alguns produtos "críticos" pode se deteriorar.
O oficial reiterou que as opções em avaliação incluem racionamento de combustível e liberação de mais petróleo das reservas de emergência.
"Certamente, nossa análise aponta que essa será uma situação prolongada e os países precisam ter certeza de que… dispõem do que precisam", declarou.
Questionado sobre a possibilidade de alterar normas para liberar mais petróleo no mercado europeu, Jorgensen respondeu que "ainda não chegamos ao ponto de ter corrigido ou alterado nenhuma das nossas regras atuais".
Uma mudança nesse sentido poderia permitir maior entrada de combustível norte-americano no mercado europeu. Atualmente, existem diferenças nas normas para combustível de aviação: enquanto o ponto de congelamento na Europa é de -47°C, nos EUA é de -40°C.
Apesar da crise de energia que o bloco europeu sofre, agravada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã, o comissário declarou que a decisão de bloquear importações de gás russo continuará inalterada.
Fechado para navios inimigos
Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) reiterou no último dia 11 de março que os navios dos EUA e de seus parceiros não podem atravessar o estreito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, propôs criar uma coalizão naval para escoltar navios através dessa via. No entanto, vários dos países convidados — entre eles, os aliados dos EUA dentro da OTAN — descartaram o envio de forças militares para a zona do conflito.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, garantiu que a passagem segue aberta e que só está fechada para os navios dos países inimigos. "A alguns países que consideramos amigos, permitimos a passagem pelo Estreito de Ormuz. Permitimos a passagem para a China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão", afirmou o chanceler. Segundo explicou, não há razão para permitir que seus inimigos transitem pela zona.